Síria: única mulher entre os ministros segue os passos de seu “mentor”, o jesuíta Paolo Dall’Oglio
Hind Kabawat, advogada, professora e ativista, é a única mulher e a única ministra cristã no Governo de transição da Síria. Em entrevista à mídia do Vaticano, à margem de uma conferência inter-religiosa em Roma, ela afirmou que "o diálogo entre grupos étnicos e religiosos está contribuindo para a reconstrução do país, após uma década de guerra civil".
Sobre sua mesa, segundo a reportagem, não há fotografias de figuras políticas ou familiares, mas uma imagem do padre jesuíta italiano Paolo Dall'Oglio, que dedicou a vida à construção das relações inter-religiosas na Síria. "Ele foi meu mentor e meu mestre sobre diálogo", declarou Kabawat. Antes de ser nomeada Ministra do Trabalho e Assuntos Sociais em 2025, após a queda do regime de Assad, ela dedicou grande parte da carreira à construção da paz e a iniciativas inter-religiosas.
O Governo de Transição, formado por uma larga maioria de ex-rebeldes islamistas, precisa traçar um caminho em um país fragmentado entre tendências islamistas e seculares e dividido em inúmeros grupos étnicos e religiosos — sunitas, curdos, drusos, ismaelitas, yazidis, alauítas, cristãos e outros. A ministra recordou o anúncio, feito no final de agosto, de que o processo de integração das instituições civis e militares curdas, antes autônomas, foi concluído. "Agora estamos em sintonia", disse, descrevendo a integração como uma das maiores conquistas do governo de transição até o momento.
Kabawat reconhece, no entanto, que as relações entre os grupos nem sempre são fáceis. Ela menciona "tensões" e violações dos direitos humanos e afirma que, devido aos anos de guerra, pobreza e opressão, algumas pessoas se tornaram mais sectárias. Ainda assim, sustenta que "a situação está melhorando, graças ao nosso diálogo nacional e às iniciativas da sociedade civil". Para ela, todo sírio deve estar aberto a certo grau de compromisso: "precisamos de uma boa Constituição, de um Estado de Direito e que todos sejam iguais".
A ministra também destaca o papel das mulheres nesse processo e diz lamentar que elas não estejam melhor representadas no novo governo. Segundo ela, as mulheres representam apenas uma pequena porcentagem da recém-criada Assembleia Popular, e Kabawat segue como a única voz feminina no Executivo. Ela cita como progresso o fato de que metade dos quatorze diretores regionais de seu ministério serão, em breve, mulheres. Sobre a atuação da Santa Sé na reconstrução do país, afirma que organizações católicas trabalham com pessoas vulneráveis, pobres e refugiados: "Quando a Síria precisou delas, elas estavam lá para nós".
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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