Por que você nunca realmente supera a época de ensino médio: 'São lembranças que voltam o tempo todo'
As hierarquias sociais do ensino médio podem deixar marcas que persistem por décadas, muito depois do último sinal de aula. Pesquisas indicam que o nível de popularidade ou rejeição vivido na adolescência tende a influenciar a vida adulta, afetando desde a interpretação de interações sociais até a qualidade de relacionamentos amorosos e a satisfação com a vida.
O psicólogo americano John Coie, em estudos considerados fundamentais realizados no início dos anos 1980, mudou a forma como os pesquisadores entendem a popularidade. Ao perguntar a crianças em idade escolar de quem elas mais gostavam e de quem menos gostavam, Coie identificou que algumas eram simultaneamente queridas e rejeitadas por grupos diferentes, enquanto outras não eram mencionadas de forma significativa. A partir dessas respostas, ele propôs cinco categorias sociais: aceitas, rejeitadas, controversas, negligenciadas e medianas.
Pesquisas posteriores confirmaram que esses rótulos tendem a persistir. Um estudo mostrou que cerca de metade das crianças mantém, cinco anos depois, no ensino médio, a mesma classificação que tinha no ensino fundamental. Enquanto isso, a dinâmica social muda drasticamente nessa fase: se nos anos iniciais os alunos mais queridos costumam ser aqueles que se comportam bem e se alinham aos valores dos adultos, no ensino médio a rebeldia e a divisão de opiniões podem impulsionar uma ascensão social inesperada.
O psicólogo Mitch Prinstein, professor da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos Estados Unidos, observou que as lembranças sobre os colegas que dominavam os corredores da escola — como os atletas estrelas ou os alunos mais populares — são extraordinariamente fortes. Mesmo décadas depois, a maioria das pessoas consegue se lembrar do nome do aluno mais popular de seu ano com mais facilidade do que dos nomes de professores e outros colegas de classe.
O arquétipo da pessoa "controversa", que divide opiniões e costuma ser vista como rebelde ou palhaça da turma, é um dos mais marcantes nesse cenário. Embora a hierarquia escolar possa parecer irrelevante após a formatura, as memórias e os padrões de comportamento associados a essa época seguem presentes, influenciando a forma como os adultos se relacionam e enxergam a si mesmos.
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