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Boas práticas de governança renderam 224% a mais na América Latina, diz Morgan

Atualizado em 13/09/2026 às 09:05 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Empresas latino-americanas com melhores práticas de governança corporativa entregaram retornos significativamente superiores aos de companhias com estruturas mais frágeis nos últimos 15 anos, segundo estudo do Morgan Stanley que analisou 183 empresas da região.

De acordo com a análise, companhias classificadas no quartil superior de governança superaram aquelas do quartil inferior em 224% desde 2010 em índices ponderados por valor de mercado. Em uma metodologia de pesos iguais, a diferença também foi expressiva, de 145%. O banco conclui que "vale a pena ser bem governado" na América Latina e argumenta que critérios de governança podem funcionar como um diferencial relevante para a seleção de ações, especialmente em uma região marcada por elevada concentração acionária e forte influência de controladores.

Brasil lidera ranking regional

Entre os países analisados, o Brasil aparece como a principal referência em governança corporativa na América Latina. Tanto em critérios ponderados por valor de mercado quanto em critérios de pesos iguais, as empresas brasileiras apresentaram as melhores pontuações da região. O relatório atribui parte desse desempenho à evolução regulatória do mercado local e ao papel desempenhado pelo Novo Mercado da B3, que elevou os padrões de proteção aos acionistas minoritários e de transparência corporativa. O estudo destaca ainda que as companhias brasileiras foram as que mais se beneficiaram do chamado "sinal de governança", com as empresas mais bem avaliadas superando as de pior classificação em cerca de 159% desde 2009.

Para os estrategistas, o Brasil continua sendo o mercado latino-americano mais avançado em termos de governança, mesmo que reformas mais amplas tenham perdido intensidade nos últimos anos. O principal desafio da região, segundo o Morgan Stanley, não está mais nas estruturas de ações com diferentes direitos políticos, mas na elevada concentração do controle societário. O chamado "controle acionário" foi o item com pior avaliação em toda a região, com aproximadamente um terço das empresas recebendo a menor nota possível nesse critério. Cerca de 72% das companhias obtiveram a nota máxima no quesito "uma ação, um voto". O banco também chama atenção para o reduzido nível de ações em circulação: enquanto o free float médio global é de 82%, na América Latina ele alcança apenas 56%, o que reduz a influência dos acionistas minoritários e aumenta os riscos associados ao controle concentrado.

Entre as companhias com melhores pontuações de governança, o Brasil aparece com forte presença. O Morgan Stanley destaca nomes como B3 (B3SA3), Localiza (RENT3), Vibra Energia (VBBR3), Companhia Paranaense de Energia (CPLE3), Lojas Renner (LREN3), Totvs (TOTS3), Equatorial Energia (EQTL3), RD Saúde (RADL3), Assaí (ASAI3) e Ultrapar (UGPA3). Entre suas preferências para a carteira latino-americana, os estrategistas citam especificamente B3, Vale, Mercado Livre e Grupo Financiero Banorte. O estudo aponta ainda relação positiva entre governança e crescimento operacional, com as empresas mais bem avaliadas registrando crescimento de receita superior ao das companhias com piores classificações no período analisado. As companhias do quartil superior negociam a cerca de 10,7 vezes lucro, enquanto as do quartil inferior negociam a aproximadamente 12,4 vezes lucro. Na avaliação do banco, isso sugere que melhores práticas de governança não apenas reduzem riscos, mas também podem contribuir para aumento de crescimento, menor custo de capital e geração superior de valor para os acionistas ao longo do tempo.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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