Sem polícia nos gabinetes: o pedido de Gilmar Mendes que expõe tensão entre ministros do Supremo
Gilmar Mendes pede fim de policiais e militares nos gabinetes do STF em meio a crise na Corte
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protocolou neste sábado (5/9) um pedido para alterar o Regimento Interno da Corte e proibir que policiais e militares ocupem cargos nos gabinetes dos ministros. Atualmente, diferentes gabinetes contam com policiais cedidos de outras instituições, incluindo delegados da Polícia Federal.
A proposta será analisada pela Comissão Permanente de Regimento, composta pelos ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Nunes Marques, com Flávio Dino como suplente. Depois, o tema deve ser discutido em sessão administrativa do STF. Se aprovada, a medida proibiria a atuação de integrantes das Forças Armadas e de corporações como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias civis e militares, corpos de bombeiros militares e polícias penais. A restrição, no entanto, não impediria a presença de agentes dessas instituições em funções de segurança.
O pedido ocorre em meio a uma crise sem precedentes na história do Supremo, marcada por tensão entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. O episódio começou na terça-feira (1/9), quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que detalha supostas interações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes, a partir da análise do celular apreendido na prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. As conversas incluem pedidos do banqueiro para que Moraes interferisse a seu favor. Também veio a público que o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, havia firmado com o Banco Master um contrato de honorários que poderia totalizar R$ 131 milhões — segundo os metadados do documento e confirmação do próprio escritório, Moraes acessou e editou o arquivo.
Na noite de quinta-feira (3/9), Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido de investigação contra Mendonça, apontando supostas irregularidades na condução das investigações relacionadas ao Banco Master. A proposta de Gilmar Mendes também surge em um contexto de atritos, ainda neste ano, entre Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em torno da presença de delegados nos gabinetes e divergências sobre a atuação da corporação.
Nos dois lados da tensão recente, documentos produzidos pela Polícia Federal ganharam papel central. No caso de Mendonça, um relatório da PF fundamentou as providências adotadas pelo ministro; no caso de Moraes, relatórios da corporação foram usados para apontar supostas irregularidades na atuação de Mendonça. Segundo os documentos, Mendonça acionou integrantes da PF para reunir e analisar mensagens entre Vorcaro e Moraes. A atuação do ministro foi questionada pela Procuradoria-Geral da República, que sustentou que ele teria extrapolado suas competências e pediu a nulidade do procedimento. As críticas também aparecem em um relatório elaborado pela PF e encaminhado por Moraes a Fachin, que aponta supostas quebras de protocolo por Mendonça ao solicitar a agentes materiais relacionados às interações entre Moraes e Vorcaro.
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