Guerra comercial de Trump com o Canadá ameaça agenda socialista de Mamdani
A escalada da guerra comercial entre os governos de Donald Trump e do Canadá começa a ameaçar diretamente a agenda de programas sociais do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. A avaliação é de analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, que apontam os primeiros impactos da crise sobre as promessas de campanha do socialista, que incluem investimentos pesados em habitação pública e infraestrutura urbana.
O custo das tarifas americanas sobre commodities canadenses, como aço e alumínio, deve encarecer a construção civil nos Estados Unidos e afetar projetos na cidade. O economista Igor Lucena, doutor em Relações Internacionais, lembra que Nova York importa bilhões de dólares em produtos e serviços do Canadá, incluindo energia e alimentos. “Mais de US$ 20 bilhões importados por ano ficam mais caros e colocam em xeque as políticas de subsídio que estão sendo apresentadas pelo prefeito”, afirma. Lucena cita como exemplo as mercearias públicas, uma das principais políticas alimentares de Mamdani para frear a inflação e garantir acesso a alimentos básicos para famílias de baixa renda.
O analista Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, vê impactos indiretos na agenda socialista. Para ele, o desgaste econômico com o Canadá funcionaria como um freio, sem paralisar as propostas. “O motor desse impacto seria o garrote fiscal que o enfraquecimento do turismo e dos negócios transfronteiriços causaria nas finanças do estado de Nova York”, diz. Coimbra destaca que o Canadá é o principal emissor internacional de visitantes e um parceiro comercial vital, e que a queda nas viagens de negócios e no consumo corrói a arrecadação de impostos sobre vendas, serviços e ocupação hoteleira. Uma receita estadual mais enxuta afetaria a prefeitura, já que propostas como a expansão do transporte público gratuito e os aportes em habitação social dependem do aval orçamentário e do cofinanciamento do governo estadual.
A crise comercial começou no final de agosto, quando Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre automóveis e peças canadenses, com vigência a partir do ano que vem. A medida foi tomada após o fracasso das negociações e depois que novas tarifas americanas de 50% sobre determinados produtos canadenses já haviam entrado em vigor. Os impostos devem afetar cerca de 5% das exportações anuais do Canadá para os EUA, incluindo vinho, tacos de hóquei, cimento, papel e têxteis. Em resposta, o Canadá prometeu revidar “dólar por dólar” a partir do dia 8, com taxas de 15% a 50% sobre cerca de 28 bilhões de dólares canadenses (aproximadamente US$ 20 bilhões) em produtos americanos, como aço, laticínios e eletrodomésticos. Trump acusou o país vizinho de “se aproveitar dos EUA no comércio há muito tempo”.
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