Abstenção tem a maior queda entre turnos desde a redemocratização
A eleição presidencial de 2026 registrou a maior queda na abstenção entre o primeiro e o segundo turno desde a redemocratização. O índice recuou 1,87 ponto percentual, passando de 21,08% para 19,21%, segundo dados computados com 99,91% das seções totalizadas, em arquivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizado às 21h40 de Brasília.
Em números absolutos, 30.463.758 eleitores não compareceram às urnas no segundo turno, contra 33.469.244 no primeiro. Trata-se da segunda eleição presidencial desde 1989 em que o país registra queda na abstenção entre os turnos. A primeira havia sido em 2022, quando o índice caiu 0,36 ponto percentual, de 20,95% para 20,58%, considerando os percentuais sem arredondamento. Nas demais disputas presidenciais com segundo turno desde 1989, houve aumento da abstenção — em 1994 e 1998, a eleição foi decidida na primeira rodada.
Em termos percentuais, a abstenção deste segundo turno era a menor desde 2006, quando ficou em 18,99%. O menor índice da série permanece o de 1989, primeira eleição presidencial direta após a ditadura: 14,39% no segundo turno, ante 11,92% no primeiro.
Segundo o material, a campanha do segundo turno deste ano foi marcada por forte mobilização de eleitores, particularmente no campo petista, após um primeiro turno caracterizado pela apatia e por escândalos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que desviaram o debate público das eleições. A queda na abstenção ocorreu mesmo com a disputa para governador já definida na maioria das unidades da Federação. Houve segundo turno para os governos de Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Tocantins e Distrito Federal.
Também caiu a proporção de votos brancos e nulos na disputa presidencial. Os brancos passaram de 1,84% para 1,12%, enquanto os nulos recuaram de 2,93% para 2,12%. Até as 21h40, o segundo turno registrava 1.429.477 votos brancos e 2.720.934 nulos, somando 4.150.411 — o equivalente a 3,24% dos votos depositados nas urnas. No primeiro turno, foram 2.300.798 brancos e 3.674.249 nulos, um total de 5.975.047, ou 4,77% dos votos. A proporção conjunta caiu 1,53 ponto percentual, o patamar mais baixo desde a redemocratização considerando a soma de brancos e nulos.
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