Derrota de Flávio enfraquece os Bolsonaro, mas não ofusca nova força da direita com eleições
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu a disputa pela Presidência da República para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um resultado que analistas consideravam improvável. Com 99,9% das urnas apuradas, Lula obteve 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% do candidato do PL. É a segunda derrota consecutiva da família Bolsonaro para o petista — a primeira foi de Jair Bolsonaro, em 2022. Lula chega, assim, ao seu quarto mandato.
A derrota ganha peso porque Flávio havia liderado o primeiro turno, com 47,03% contra 45,16% de Lula, e porque, desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou em segundo lugar havia conseguido virar no segundo turno. Pesquisas divulgadas na véspera ainda mostravam Flávio numericamente à frente. O resultado também chama atenção por ocorrer em meio ao avanço da direita nas eleições legislativas, com crescimento expressivo do PL e de outros partidos de direita no Senado e na Câmara.
Após a declaração da vitória pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio afirmou que não reconhecerá o resultado e que pedirá a anulação do pleito, citando a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de adiar o término da votação por duas horas, até as 19h. As campanhas dos dois candidatos chegaram a pedir formalmente a prorrogação da votação: a de Lula alegou redução da frota de ônibus em algumas cidades; a de Flávio mencionou as fortes chuvas em São Paulo e em cidades do Sul.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a vitória de Lula resulta da combinação entre a capacidade do petista de preservar uma base popular mesmo em contexto de desgaste do governo, a mobilização da campanha na reta final e os limites do bolsonarismo para construir maioria nacional. Eles alertam, porém, que o resultado não deve ser lido como aprovação irrestrita ao governo, já que se deve em grande parte à alta rejeição ao sucessor de Jair Bolsonaro.
A candidatura de Flávio foi construída e bancada pessoalmente pelo pai, apesar da resistência de alas da direita que defendiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Advogado e político há mais de 20 anos, Flávio foi eleito deputado estadual no Rio aos 21 e chegou ao Senado em 2018. Às vésperas do segundo turno, era alvo de pelo menos duas apurações no STF — uma sobre suspeitas de lavagem de dinheiro em parceria com um amigo pessoal e outra sobre supostos crimes ligados ao financiamento do filme Dark Horse. Ele nega irregularidades nos dois casos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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