Análise – Putin se aproxima de um prêmio: reatar laços com EUA sem ceder na Ucrânia
Um ano após os Estados Unidos imporem sanções às duas maiores petroleiras russas, o presidente Vladimir Putin está mais perto do objetivo que persegue desde o início da guerra na Ucrânia: normalizar as relações com Washington sem precisar fazer concessões sobre o conflito. A avaliação consta em análise publicada pelo The New York Times.
Na época das sanções, em outubro do ano passado, o presidente americano, Donald Trump, reclamava que as negociações para encerrar a guerra “simplesmente não avançavam”. Nem a recepção ao líder russo no Alasca nem a cúpula planejada em Budapeste produziram progresso. Trump passou a admitir que Putin talvez estivesse apenas ganhando tempo, o que alimentou em Kiev a esperança de um rompimento entre os dois.
Na última semana e meia, porém, Trump se aproximou publicamente de Putin e aliviou a pressão econômica sobre o Kremlin, ao mesmo tempo em que passou a atacar o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. Em 9 de outubro, anunciou que os Estados Unidos comprariam diesel russo sem exigir contrapartida. O governo americano também pressionou a Ucrânia a interromper ataques a refinarias russas e suspendeu sanções aplicadas anteriormente. Trump chegou a afirmar que “a Rússia, francamente, tem se comportado bem em relação à Ucrânia”.
O acordo sobre o diesel tem motivação política, já que Trump tenta reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato, mas reflete também a afinidade cultivada por Putin. Segundo o jornal, Rússia e Estados Unidos negociaram a venda de ativos internacionais da petroleira Lukoil para um grupo de investidores que inclui o governo americano, e negociadores defenderam a retomada das compras europeias de gás russo. O enviado econômico de Putin, Kirill Dmitriev, disse que “não há dúvida” de que a cooperação econômica será ampliada, citando projetos em fertilizantes, data centers e energia.
Putin também apresentou gestos como benefícios a Trump, incluindo a libertação do professor americano Stephen James Hubbard, de 74 anos. Para analistas ouvidos pelo jornal, os incentivos econômicos são resposta inadequada a uma guerra de motivação política e de segurança. A pesquisadora Hanna Notte avalia que a estratégia de oferecer vantagens para encerrar o conflito não deve funcionar, enquanto Jeremy Shapiro observa que “conquistar os americanos já não vale o que valia antes”, diante do maior papel assumido pela Europa no apoio à Ucrânia.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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