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Por que jovens chineses são tão fascinados com Mao Tsé Tung, cuja morte completa 50 anos?

Atualizado em 13/09/2026 às 09:35 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Vídeos com aparições do falecido líder chinês Mao Tsé Tung acumulam milhões de visualizações na plataforma Bilibili, onde quase 60% dos usuários têm entre 18 e 24 anos. As compilações reúnem cenas extraídas de filmes e séries de TV que retratam diferentes fases de sua vida — da juventude ao período como comandante militar e líder na gestão das relações da Guerra Fria entre China, Estados Unidos e União Soviética. Nos comentários, multiplicam-se elogios como "Viva o grande homem".

Muitos jovens se referem a Mao como "Mestre" ou "Professor", e não pelo nome. O título tem origem específica: durante um encontro com o jornalista americano Edgar Snow, em 1970, Mao teria dito que não gostava de títulos como "Os Quatro Grandes" — slogan que o elogiava como grande professor, líder, comandante e timoneiro durante a Revolução Cultural — e comentado que restava apenas "Professor, porque eu sempre fui um professor".

Outro indicador da tendência é que, a partir de 2019, o livro Obras Selecionadas de Mao Tsé Tung tornou-se a obra mais emprestada da Biblioteca da Universidade de Tsinghua, mantendo a posição nos anos seguintes. O interesse atual difere da narrativa com que a geração anterior cresceu: em 1981, sob a liderança de Deng Xiaoping, o Partido Comunista Chinês adotou uma resolução que equilibrava conquistas e erros de Mao, resumida como "70% conquistas, 30% erros". Nos governos de Deng e depois de Jiang Zemin, os retratos de Mao desapareceram gradualmente de estações ferroviárias, praças e salas de aula.

Especialistas relacionam o fenômeno a percepções sobre desigualdade de riqueza e declínio da mobilidade social. Florian Schneider, professor da Universidade de Leiden, afirma que os jovens de hoje enfrentam realidade muito diferente da das gerações anteriores: seus pais viveram uma época em que o crescimento econômico parecia elevar o padrão de vida de todos, enquanto muitos jovens agora se sentem deixados para trás. Segundo dados do Departamento Nacional de Estatísticas da China, a taxa de desemprego urbano entre jovens de 16 a 24 anos que não estudam subiu para 17,9% em julho de 2026, o nível mais alto desde a revisão da metodologia estatística três anos antes.

Termos como "996" — trabalho das 9h às 21h, seis dias por semana —, "ficar deitados" e "involução" passaram ao vocabulário cotidiano. Nesse contexto, as críticas de Mao ao capitalismo encontram eco em parte dos jovens. "O ressurgimento de Mao não é simplesmente nostalgia", diz Schneider. "Reflete uma tentativa dos jovens de usar uma linguagem histórica existente para nomear e processar a desigualdade e a insegurança que vivenciam." A avaliação oficial do partido segue baseada na resolução de 1981, e a terceira resolução histórica, de 2021, situa a revolução de Mao como a fase em que a China "se ergueu" e lançou as bases para o rejuvenescimento nacional.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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