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Pena achada em cocô de dinossauro pode explicar por que aves escaparam da extinção

Atualizado em 20/09/2026 às 07:20 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uma pena de ave extremamente bem preservada, da era dos dinossauros, foi encontrada dentro de um pedaço fossilizado de cocô de dinossauro. Segundo o estudo que descreve a descoberta, publicado em 10 de setembro na Current Biology, trata-se do único exemplo conhecido de uma pena da Era Mesozoica encontrada dentro de uma rocha que não foi completamente achatada ao longo dos séculos — o que a torna a pena mais bem preservada de seu tipo.

O fóssil foi localizado em 2016 na Formação Hell Creek, em Montana, nos Estados Unidos, região que remonta ao período em que grandes criaturas dominavam a terra, o mar e o céu. Um pesquisador recolheu o pedaço fossilizado de excremento de um grande dinossauro, possivelmente um Nanotyrannus ou um Tyrannosaurus rex. Ao se partir ao meio, o material revelou a pena pequena e bem conservada, junto com fragmentos de ossos de aves e escamas de peixe — restos da última refeição da ave antes de ser devorada.

A análise foi feita por Jingmai O'Connor, paleontóloga do Field Museum of Natural History, em Chicago, depois que o espécime chegou ao laboratório do museu. "Quando encontraram esse espécime, sabiam que era importante", afirmou. Como a pena foi achada acompanhada de ossos e outros materiais, a equipe conseguiu uma visão mais completa da vida e das características físicas das aves pré-históricas, aproximando-se de responder a uma antiga questão da paleontologia: por que as aves são os únicos dinossauros que sobreviveram.

Com um microtomógrafo computadorizado (micro-CT), os pesquisadores criaram um raio-X tridimensional da pena e verificaram que sua haste central é um quadrado oco preenchido com material espumoso, que mantém a estrutura sólida e leve. Dessa haste ramificam-se bárbulas entrelaçadas, feitas de queratina — estrutura muito semelhante à das penas modernas. Perto da pena também foram encontrados ossos poderosos da coxa da mesma ave e escamas de um peixe recém-consumido, indicando que o animal, provavelmente aquático, ocupava posição definida na cadeia alimentar.

A partir dessas evidências, O'Connor concluiu que a ave provavelmente integrava um grupo de aves não voadoras que usavam os pés para se impulsionar na água em busca de alimento, como fazem hoje mergulhões ou papagaios-do-mar. Diferentemente das aves modernas, porém, tinha dentes afiados para capturar peixes e penas corporais que não ofereciam tanto isolamento térmico. A equipe sugere que essa falta de isolamento pode ser uma das razões pelas quais esse grupo não sobreviveu após o evento de extinção que dizimou os dinossauros, quando as temperaturas globais teriam caído significativamente. Ainda assim, a paleontóloga afirma que a pena não prova essa teoria sozinha, e que uma combinação de fatores provavelmente tornou cada espécie mais ou menos vulnerável à extinção.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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