Pena achada em cocô de dinossauro pode explicar por que aves escaparam da extinção
Uma pena de ave extremamente bem preservada, da era dos dinossauros, foi encontrada dentro de um pedaço fossilizado de cocô de dinossauro. Segundo o estudo que descreve a descoberta, publicado em 10 de setembro na Current Biology, trata-se do único exemplo conhecido de uma pena da Era Mesozoica encontrada dentro de uma rocha que não foi completamente achatada ao longo dos séculos — o que a torna a pena mais bem preservada de seu tipo.
O fóssil foi localizado em 2016 na Formação Hell Creek, em Montana, nos Estados Unidos, região que remonta ao período em que grandes criaturas dominavam a terra, o mar e o céu. Um pesquisador recolheu o pedaço fossilizado de excremento de um grande dinossauro, possivelmente um Nanotyrannus ou um Tyrannosaurus rex. Ao se partir ao meio, o material revelou a pena pequena e bem conservada, junto com fragmentos de ossos de aves e escamas de peixe — restos da última refeição da ave antes de ser devorada.
A análise foi feita por Jingmai O'Connor, paleontóloga do Field Museum of Natural History, em Chicago, depois que o espécime chegou ao laboratório do museu. "Quando encontraram esse espécime, sabiam que era importante", afirmou. Como a pena foi achada acompanhada de ossos e outros materiais, a equipe conseguiu uma visão mais completa da vida e das características físicas das aves pré-históricas, aproximando-se de responder a uma antiga questão da paleontologia: por que as aves são os únicos dinossauros que sobreviveram.
Com um microtomógrafo computadorizado (micro-CT), os pesquisadores criaram um raio-X tridimensional da pena e verificaram que sua haste central é um quadrado oco preenchido com material espumoso, que mantém a estrutura sólida e leve. Dessa haste ramificam-se bárbulas entrelaçadas, feitas de queratina — estrutura muito semelhante à das penas modernas. Perto da pena também foram encontrados ossos poderosos da coxa da mesma ave e escamas de um peixe recém-consumido, indicando que o animal, provavelmente aquático, ocupava posição definida na cadeia alimentar.
A partir dessas evidências, O'Connor concluiu que a ave provavelmente integrava um grupo de aves não voadoras que usavam os pés para se impulsionar na água em busca de alimento, como fazem hoje mergulhões ou papagaios-do-mar. Diferentemente das aves modernas, porém, tinha dentes afiados para capturar peixes e penas corporais que não ofereciam tanto isolamento térmico. A equipe sugere que essa falta de isolamento pode ser uma das razões pelas quais esse grupo não sobreviveu após o evento de extinção que dizimou os dinossauros, quando as temperaturas globais teriam caído significativamente. Ainda assim, a paleontóloga afirma que a pena não prova essa teoria sozinha, e que uma combinação de fatores provavelmente tornou cada espécie mais ou menos vulnerável à extinção.
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