Agências de checagem em tempo real mostram que Flávio Bolsonaro mentiu em 90% do que falou no debate da TV Globo
Verificações publicadas por agências de checagem após o último debate presidencial antes do segundo turno, realizado pela TV Globo na sexta-feira (23), apontaram declarações falsas, exageradas ou fora de contexto do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Os temas contestados incluíram segurança pública, pandemia, economia e obras federais. O presidente Lula (PT) também teve falas corrigidas pelas agências.
A Agência Lupa, em parceria com a Folha de S.Paulo, examinou 35 declarações dos dois candidatos. Desse total, 20 apresentaram problemas de precisão, como informações falsas, exageradas ou retiradas de contexto, e outras 11 foram consideradas verdadeiras. O levantamento não representa uma avaliação de todas as frases pronunciadas no debate: as equipes selecionam afirmações verificáveis e aplicam critérios próprios de classificação. Por isso, conforme as próprias checagens, não é correto converter a quantidade de declarações contestadas em um percentual de mentiras sobre a participação inteira de um candidato.
Principais declarações contestadas
Entre as falas de Flávio classificadas como falsas está a afirmação de que Lula teria defendido a impunidade de criminosos que roubam celulares para comprar cerveja. Segundo a checagem, a história partiu de um vídeo editado que distorceu uma declaração do presidente, que, na gravação original, tratava da necessidade de reduzir a hostilidade entre torcedores de clubes rivais.
O Uol Confere também classificou como falsa a declaração de que o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes e o secretário Guilherme Derrite teriam acabado com a Cracolândia. Apesar de mudanças na concentração de usuários em pontos da região central, levantamentos oficiais e reportagens documentaram a permanência de pessoas em situação de dependência química em outras ruas e praças, além da continuidade de atendimentos.
Outra fala contestada atribuiu a Jair Bolsonaro a conclusão das obras de transposição do Rio São Francisco. A checagem classificou a afirmação como enganosa e lembrou que o empreendimento atravessou diferentes governos, com investimentos nas gestões de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, e que mais de 90% da infraestrutura foi entregue ao longo de diferentes gestões federais.
A Agência Lupa contestou ainda a alegação de que um vídeo de Jair Bolsonaro imitando pessoas com dificuldades para respirar durante a pandemia teria sido retirado de contexto, apontando que a versão não corresponde ao conteúdo documentado da gravação. Também foi verificada a tentativa de atribuir ao governo Lula a criação ou liberação das apostas online: a autorização legal das apostas de quota fixa ocorreu em 2018, no governo Michel Temer, com regras posteriores estabelecidas em outras administrações.
As agências não restringiram as verificações ao candidato do PL. A Lupa apontou problemas na afirmação de Lula de que o Produto Interno Bruto brasileiro não crescia acima de 3% desde 2010 e contestou uma declaração do presidente sobre o período em que o Brasil teria erradicado a fome.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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