Debate entre Lula e Flávio repercute na imprensa internacional
O último debate presidencial antes do segundo turno, realizado na sexta-feira (23) pela TV Globo, entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), teve repercussão na imprensa internacional. Veículos da Espanha, Argentina, Portugal e Uruguai destacaram os embates sobre economia, segurança pública e as relações do Brasil com os Estados Unidos.
O jornal espanhol El País, que acompanhou o debate com correspondentes no Brasil, avaliou que o confronto teve tom "mais construtivo" do que o anterior, realizado no domingo (18) pela Band. Segundo a publicação, Lula adotou postura "mais tranquila", enquanto Flávio buscou demonstrar perfil "mais moderado" durante parte do encontro. Os correspondentes destacaram que os candidatos conseguiram discutir propostas e permitiram que o adversário concluísse seus argumentos, embora também tenham trocado ataques. O jornal citou as propostas de Flávio para endurecer o combate ao crime organizado, como a redução da maioridade penal para 14 anos, o aumento de penas de prisão e a castração química de estupradores, e repercutiu o momento em que Lula questionou o senador por suposta atuação na defesa de um policial acusado de envolvimento na morte de uma criança em Niterói (RJ).
Na Argentina, o La Nación deu destaque às discussões sobre a economia brasileira e às referências ao presidente argentino Javier Milei. O jornal observou que o formato adotado pela Globo foi mais organizado que o da Band e repercutiu as críticas de Flávio à gestão de Lula, especialmente sobre obras públicas paralisadas, endividamento das famílias e perda do poder de compra. Também registrou o momento em que o senador questionou os eleitores sobre a dificuldade de fazer o salário chegar ao fim do mês, e a tentativa de Lula de constranger o adversário com perguntas sobre o valor do salário mínimo e os reajustes concedidos pelos governos petistas.
A emissora argentina A24 destacou que a economia brasileira e o governo de Milei estiveram entre os temas do confronto, com Lula criticando a proximidade de Flávio com o presidente argentino e associando as propostas econômicas do adversário às medidas de austeridade de Buenos Aires. O Clarín também acompanhou o debate e reproduziu a declaração do senador de que os brasileiros enfrentam dificuldades financeiras até para comprar alimentos, além das acusações de corrupção trocadas entre os candidatos.
Em Portugal, o Observador destacou a discussão sobre o combate às facções criminosas e a proposta de Flávio de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organização terrorista. A cobertura também deu espaço às críticas econômicas do senador, incluindo a acusação de que Lula não teria cumprido promessas da campanha de 2022, com a declaração de que o petista "prometeu a picanha e não entregou a picanha". O jornal português repercutiu ainda os ataques de Lula à família Bolsonaro e as acusações trocadas sobre o caso do Banco Master. No Uruguai, o El País destacou os ataques pessoais, como a referência de Flávio aos nove dedos de Lula e a resposta do senador após o petista recomendar aos telespectadores que pesquisassem no Google as declarações do adversário. Ao comparar os dois debates, o jornal observou que Flávio apresentou mais propostas no encontro da Globo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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