Estrutura de recarga para carro elétrico do Brasil: chegou a hora dos institucionais?
O mercado brasileiro de infraestrutura de recarregamento para veículos elétricos ainda depende, em grande parte, de empreendedores, montadoras e distribuidores de combustível. Nos próximos anos, porém, esse grupo deve ganhar a companhia de fundos internacionais e investidores institucionais, movimento que pode alterar a escala dos projetos no país.
O crescimento da frota de eletrificados ajuda a explicar a expectativa. Apenas nos primeiros nove meses de 2026, as vendas de veículos eletrificados leves somaram 381.609 unidades, o equivalente a 38% de toda a série histórica calculada desde 2012. Metade de todo o volume foi vendida nos 13 meses entre agosto de 2025 e setembro de 2026.
Esse avanço ataca um dos entraves ao investimento. "A demanda do eletroposto no varejo não é controlável, o investidor fica exposto. O que está mudando é a entrada de frotas", afirma o fundador da consultoria de mobilidade elétrica Vitesse, Gilberto Prado. O Brasil segue caminho diferente do europeu: aqui, o aumento do número de carros elétricos circulando estimulou a infraestrutura, com parte relevante da oferta promovida pelas mais de 20 montadoras chinesas com negócios no país.
Para Prado, o mercado deve evoluir para novos modelos de hubs de carregamento. Hoje, um projeto com dois carregadores rápidos custa em média R$ 500 mil; hubs com mais pontos podem exigir de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões. "O que nós vemos chegar ao Brasil é um movimento como o que ocorreu na Europa, onde empresas já olham para metas muito maiores de projetos. Devemos começar a enxergar nos próximos anos esses grandes operadores. E aí vem a importância do investidor institucional", diz.
A escala dos projetos é um dos entraves: investidores querem entrar com cheques altos, enquanto a capacidade de operacionalização dos players não absorve esse tipo de negócio. A ausência de histórico de projetos, com série de uso, disponibilidade e receita por ponto auditada, também freia aportes. No Brasil, boa parte do capital vem de investidores-anjo, startups e aportes pessoais, além de empresas médias em busca de diversificação e de distribuidoras de combustíveis que testam projetos. Entre os institucionais, o Patria é o gestor por trás dos movimentos mais relevantes, com a EVMOB, fundada em 2024 para eletrificação de frotas comerciais. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney apontam 2027 e 2028 como o timing da chegada desses investidores.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar