PEQUENO GLOSSÁRIO DA DIREITA PARA AS ELEIÇÕES
Em artigo publicado no site Pragmatismo Político, o autor Delmar Bertuol propõe um glossário para identificar o que chama de eufemismos usados pela direita em campanhas eleitorais. O texto parte da constatação de que candidatos de diferentes espectros recorrem a expressões vagas para apresentar propostas que, segundo ele, podem piorar a vida de trabalhadores e eleitores de baixa renda.
Entre os exemplos citados está o termo "modernização" das relações de trabalho. Para o autor, a palavra esconde a defesa de negociações diretas entre patrão e empregado, sem a mediação da legislação trabalhista. Ele também afirma que o plano de governo do pré-candidato Flávio Bolsonaro prevê não aumentar o salário-mínimo acima da inflação, embora o candidato, quando questionado, afirme que vai valorizá-lo.
O glossário reúne ainda outras expressões. Segundo o texto, "o povo não aguenta mais o PT" significa, na prática, que a direita não aceita mais perder eleições. Já a alegação de que "a criminalidade aumentou" seria falsa: o autor sustenta que a sensação de violência cresceu, mas os índices de crimes caíram, com exceção do feminicídio. Ele relaciona o aumento dos feminicídios ao que chama de bolsonarismo, em que as mulheres seriam tratadas como objetos.
O autor também contesta a ideia de que Flávio Bolsonaro vai reduzir a criminalidade, citando supostas relações do candidato com bandidos e milicianos e o aumento do fluxo de armas para facções durante o governo de seu pai. Sobre a proposta de aumentar penas para feminicidas, Bertuol argumenta que a medida seria ineficaz, pois os crimes passionais não são dissuadidos pela pena. Ele ainda classifica como mentira a afirmação de que Lula dividiu o governo com o ministro Alexandre de Moraes, lembrando que a indicação de Moraes foi feita por Michel Temer.
Outros termos listados incluem "terceira via", que o autor define como um "acostamento do bolsonarismo"; "vou anistiar os envolvidos em 8 de Janeiro", que, para ele, equivale a defender os ataques às instituições; e "vamos ajudar quem realmente produz", que, segundo o texto, beneficia empresários em vez dos trabalhadores. O artigo encerra com críticas a expressões como "somos pela família", "somos cristãos" e "o PT persegue os evangélicos", todas contestadas pelo autor ao longo do texto.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar