Paris, Notre-Dame e Saint-Denis: Leão XIV percorrerá a história cristã da França
A viagem do Papa Leão XIV à França, entre os dias 25 e 28 de setembro, será também um percurso pela história do cristianismo no país. As primeiras etapas, em Paris e Saint-Denis, colocam o Pontífice diante de diferentes momentos da trajetória da Igreja francesa — das tradições ligadas a São Dionísio, considerado o primeiro bispo de Paris, aos novos rostos das comunidades cristãs, passando pelos lugares de estudo e formação e pelos espaços de acolhida a pessoas em situação de exílio.
Na tarde de sexta-feira, Leão XIV percorrerá de papamóvel os 2,5 quilômetros que separam a igreja de Notre-Dame-des-Champs da praça Saint-Michel. O trajeto remete às origens da evangelização de Paris e à memória de São Dionísio. Segundo a tradição preservada pela paróquia, Notre-Dame-des-Champs estaria relacionada a um antigo santuário na região da atual rue Pierre-Nicole, onde Dionísio teria pregado aos habitantes de Lutécia. A figura do santo situa-se entre a tradição e a história: a Legenda Áurea ampliou os relatos sobre sua vida, enquanto Gregório de Tours, no fim do século VI, o apresenta como um dos bispos enviados para evangelizar a Gália e relata seu martírio durante as perseguições romanas. Os dados arqueológicos confirmam a antiguidade do local funerário e do santuário de Saint-Denis, mas não permitem comprovar todos os episódios associados à sua vida.
O antigo priorado de Notre-Dame-des-Champs, depois transformado em Carmelo, foi destruído durante a Revolução Francesa. A atual igreja, construída a partir de 1867 no boulevard du Montparnasse, retomou o antigo nome. Próximo dali, o Institut Catholique de Paris, fundado em 1875 no antigo convento dos Carmelitas, acrescenta ao percurso a transmissão da fé por meio do estudo e da formação. É nesse espaço que Leão XIV estará na manhã seguinte, para encontrar membros da Assembleia Sinodal provincial, catecúmenos e neófitos. O percurso público de sexta-feira termina na Place Saint-Michel, diante da fonte construída entre 1858 e 1860, cuja figura central é o arcanjo Miguel vencendo o demônio.
Outro momento significativo será a visita à catedral de Notre-Dame, onde o Papa celebrará as Vésperas com bispos, sacerdotes, diáconos, pessoas consagradas e seminaristas da França. A catedral conserva a Coroa de espinhos, parte da madeira da Cruz e um dos pregos da Paixão, e sua história é anterior à construção gótica iniciada no século XII. Depois das devastações da Revolução Francesa, dos trabalhos de restauração e do incêndio de 2019, Notre-Dame voltou a se apresentar como uma catedral marcada pela capacidade de renascimento.
No sábado pela manhã, a dimensão missionária da viagem ganha um rosto diferente na Maison Bakhita, no 18º arrondissement de Paris, espaço que acompanha e promove a integração de pessoas em situação de exílio. A instituição leva o nome de Josefina Bakhita, mulher sudanesa escravizada e torturada antes de se tornar religiosa na Itália, canonizada por São João Paulo II em 1º de outubro de 2000. No fim de semana, o itinerário retorna a Saint-Denis, onde mais de 80 mil jovens, entre 17 e 35 anos, são esperados no Stade de France para uma vigília de oração com Leão XIV.
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