Na China, a guerra contra os mosquitos entrou na era da inteligência artificial
A empresa chinesa Photon Matrix começou a comercializar um dispositivo de cerca de US$ 1.000 que usa inteligência artificial para rastrear mosquitos em pleno voo e queimar suas asas com um laser. O aparelho, chamado Laser Mosquito Air Defense System, tem tamanho semelhante ao de um tijolo e emprega tecnologias presentes em carros autônomos para localizar os alvos e definir o momento seguro de disparo.
Em uma demonstração nos escritórios da fabricante, em Changzhou, o sistema abateu mosquito após mosquito, cada um envolto brevemente por uma pequena chama azul ou verde acompanhada de um estalo. Os insetos atingidos perdem as asas, mas não morrem imediatamente: segundo Wang Chuan, CEO e fundador da Photon Matrix, eles podem levar horas ou até dias para morrer, permanecendo no chão com leves espasmos. Após a apresentação, os mosquitos abatidos foram examinados: as asas haviam desaparecido, mas pernas e corpos pareciam intactos, e nenhum conseguia voar.
O equipamento utiliza um laser Classe 4, a categoria mais poderosa existente, normalmente reservada para aplicações industriais. Lasers desse tipo podem provocar lesões na retina em menos de um segundo e costumam estar sujeitos a regulamentações rigorosas. A empresa testou inicialmente lasers Classe 3, menos potentes, mas concluiu que eles não incapacitavam os mosquitos de forma confiável. Por isso, optou pela versão Classe 4, limitando cada disparo a um centésimo de segundo — suficiente, segundo Wang, para destruir as asas dos insetos e reduzir, sem eliminar, o risco de danos oculares.
Para proteger pessoas e animais domésticos, uma câmera equipada com IA reconhece esses alvos e impede o disparo. O sistema também identifica superfícies reflexivas que poderiam desviar os feixes, conta com iluminação infravermelha para operar à noite e usa um radar independente que detecta movimentos no trajeto do laser mesmo na escuridão total. Os compradores precisam passar por um teste de segurança com 15 perguntas; apenas quem acerta todas pode cadastrar uma impressão digital para ativar o equipamento.
A caça aos mosquitos utiliza a tecnologia lidar, empregada em carros autônomos, com 100 mil pulsos de laser extremamente fracos por segundo para mapear uma área bidimensional à frente do aparelho e rastrear objetos menores que uma ervilha. Ken Barat, ex-responsável pela segurança de lasers no Lawrence Berkeley National Laboratory, afirmou que as múltiplas camadas de proteção da Photon Matrix podem tornar o aparelho seguro, mas alertou que um laser Classe 4 projetado para focar em algo tão pequeno quanto um mosquito concentra muita energia em um espaço reduzido. Wang disse que a empresa busca aprovação regulatória na China, na Europa e nos Estados Unidos, e acredita que a autorização chinesa esteja próxima. A Photon Matrix afirma já ter recebido 5.000 encomendas pagas antecipadamente e garantido um fabricante parceiro para iniciar a produção em massa nas próximas semanas.
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