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Ucranianos combatem russos dentro de gasodutos subterrâneos. Eu entrei em um deles

Atualizado em 01/11/2026 às 08:20 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Perto de Kupiansk, no leste da Ucrânia, uma rede de gasodutos desativados que antes transportava gás natural entre a Ucrânia e a Rússia virou parte da linha de frente da guerra. Em uma floresta monitorada por drones, uma pequena plataforma metálica dá acesso a um centro logístico subterrâneo com centenas de metros de extensão e pelo menos três metros de altura, conectado a dutos de menos de 1,2 metro de diâmetro — espaço insuficiente para que os soldados fiquem em pé.

Mesmo assim, militares ucranianos passam semanas dentro dos tubos, enfrentando tropas russas com armas e granadas, retirando companheiros feridos ou mortos da linha de frente e transportando suprimentos essenciais. Soldados cobertos de poeira circulam pelo túnel em pequenos veículos elétricos enferrujados. Com drones vigiando a superfície, estrategistas ucranianos afirmam que esse é o futuro da guerra. Na região visitada, existem cerca de 130 quilômetros de gasodutos desativados.

As forças russas foram as primeiras a usar dutos industriais abandonados neste conflito, retomando uma tática que remete à Primeira Guerra Mundial. No fim do ano passado, tropas russas usaram esses tubos para se infiltrar em Kupiansk. Em resposta, o Corpo Khartia procurou mapas da rede, localizou engenheiros aposentados que haviam construído os dutos e instalou sistemas de ventilação — a tarefa mais difícil, segundo o relato.

Na primeira operação do tipo, soldados ucranianos encontraram russos dentro de um duto, contou o coronel Volodymyr Lysiuk, subcomandante do Corpo Khartia. Houve intenso tiroteio, mas os ucranianos não conseguiram expulsar o inimigo. Então abriram uma saída no tubo, cavaram um túnel até um duto paralelo e voltaram a entrar no primeiro atrás das posições russas, encurralando-os. Segundo Lysiuk, dezenas de russos foram mortos e vários prisioneiros foram capturados.

O presidente Volodymyr Zelensky e analistas militares independentes afirmam que a operação ajudou a defender Kupiansk, embora a batalha continue. Com base em pesquisas de campo, uma equipe liderada pelo analista Franz-Stefan Gady classificou a ação subterrânea como um “sucesso tático”, dizendo que ela desacelerou, mas não interrompeu totalmente o avanço russo. O êxito levou a Ucrânia a estudar outras formas de transferir a guerra para o subsolo: parte da produção militar e da logística já foi levada para estruturas subterrâneas e, segundo duas autoridades militares ucranianas, os militares calculam os custos de construir uma rede de túneis para conectar postos de observação, estoques de suprimentos e unidades de apoio na retaguarda.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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