Parem o roubo? Netanyahu pega emprestada uma página do manual de Trump
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e seus aliados adotaram uma nova estratégia para tentar permanecer no poder após a eleição da semana passada, que abriu aos adversários a possibilidade de destituí-lo. Inspirado no manual do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o bloco de Netanyahu passou a alegar, sem apresentar fundamentos, que eleitores árabes roubaram a eleição. Parte dos aliados do primeiro-ministro defende até a realização de um novo pleito.
Segundo a reportagem, o esforço coordenado para lançar dúvidas sobre a legitimidade do pleito pode beneficiar Netanyahu de duas formas: dificultando que os adversários dependam do apoio de partidos árabes ou justificando um atraso na formação de uma nova coalizão de governo. O primeiro-ministro e seus aliados vêm destacando duas investigações sobre supostas irregularidades eleitorais. "Até que a investigação seja concluída, uma nuvem escura paira sobre os resultados eleitorais em Israel", escreveu Netanyahu nas redes sociais na segunda-feira.
O rival de Netanyahu, o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, classificou a iniciativa como um ato de desespero. "O Likud e Netanyahu sabem que estamos determinados", disse ele em mensagem de vídeo na noite de terça-feira. "É por isso que continuam lançando dúvidas e tentando minar os verdadeiros resultados da eleição. Este é o último refúgio deles." A oposição conquistou 67 cadeiras no Parlamento, sendo 19 asseguradas por dois partidos árabes, cujos líderes estão determinados a remover Netanyahu do poder.
Nos próximos dias, é provável que o presidente de Israel, Isaac Herzog, dê a Eisenkot a primeira oportunidade de formar uma coalizão de governo. O primeiro caso em investigação envolve o que a polícia israelense classificou como "tentativa de suborno eleitoral". Os três homens detidos, porém, foram liberados, e pelo menos dois juízes criticaram a falta de evidências apresentadas pelos investigadores. A segunda apuração, conduzida pela agência de inteligência Shin Bet, trata de uma possível tentativa de agentes estrangeiros de influenciar indevidamente a eleição. O juiz Noam Sohlberg, da Suprema Corte, afirmou que, embora as alegações estejam sendo investigadas, elas não terão impacto sobre o resultado eleitoral.
Quando o comitê eleitoral central votou sobre a certificação dos resultados, representantes do bloco de Netanyahu se recusaram a aprová-los, abstendo-se ou votando contra, mas a maioria validou o resultado. Especialistas alertaram que, se o primeiro-ministro mobilizar sua base sob o argumento de que a eleição foi ilegítima, Israel pode entrar em território desconhecido. "Estamos potencialmente à beira do nosso próprio momento de 6 de janeiro", disse Reuven Hazan, professor de ciência política da Universidade Hebraica de Jerusalém. "A situação é delicada, porque eles podem transformar isso em uma questão social, e não apenas institucional. Podem convocar as pessoas para as ruas."
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