MRV (MRVE3): por que as ações saltaram mais de 14% mesmo com prejuízo de R$ 626 mi?
MRV (MRVE3) salta 14% mesmo com prejuízo de R$ 626 mi; mercado aplaude melhora no Brasil
A MRV (MRVE3) reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 626 milhões no segundo trimestre de 2026, fortemente impactado pela operação da subsidiária americana Resia. Apesar do número negativo, as ações saltaram 14,29%, a R$ 4,80, com analistas destacando a evolução operacional do negócio doméstico, com melhora consistente de margens e geração de caixa.
O trimestre foi marcado por baixas contábeis ligadas à reestruturação da Resia. A XP estima que o impacto das baixas somou R$ 569 milhões, enquanto o Bradesco BBI aponta que o prejuízo da operação americana alcançou R$ 617 milhões no período. Sem esse efeito extraordinário, a leitura sobre o negócio brasileiro é positiva: a MRV Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 86 milhões e margem bruta de 31,2%, o maior patamar dos últimos sete anos. A administração afirmou que novos empreendimentos já são comercializados com margens próximas de 35%.
A receita líquida consolidada atingiu R$ 3 bilhões, alta de cerca de 11% na comparação anual, superando as expectativas da XP, do Morgan Stanley e do consenso de mercado. O lucro bruto somou R$ 906 milhões, com margem de 30,2%, também acima das projeções. O Morgan Stanley destacou que a receita e o lucro bruto vieram fortes, mas foram ofuscados por encargos do processo de reorganização da operação americana, com cerca de US$ 110 milhões em despesas extraordinárias reconhecidas no trimestre.
Segundo a companhia, as vendas de ativos da Resia devem gerar redução relevante da dívida líquida consolidada. A XP estima que a dívida recuará para cerca de R$ 4,6 bilhões após a conclusão das transações anunciadas, contra R$ 6,3 bilhões ao fim de 2025. O Goldman Sachs destacou que uma das operações já foi concluída em julho, com entrada de US$ 139 milhões, e uma segunda venda pode acrescentar mais US$ 141 milhões em caixa. O BBI observou que a relação dívida líquida sobre patrimônio da MRV Brasil encerrou o trimestre em 41,3%, praticamente estável.
XP e Bradesco BBI mantêm recomendação de compra, citando a expectativa de geração de caixa e desalavancagem. O BBI atualizou o preço-alvo para R$ 9 por ação. Morgan Stanley e Goldman Sachs seguem cautelosos, afirmando que o mercado precisa de maior clareza sobre a conclusão da reestruturação da Resia e a estabilização dos resultados antes de adotar uma visão mais construtiva.
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