Lula conquista virada inédita e terá quarto mandato como presidente do Brasil: 'Vamos ter que regular as plataformas digitais'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25/10) e cumprirá seu quarto mandato até 2030. Com 96% das urnas apuradas, ele somava mais de 64 milhões de votos, diferença de pouco mais de 4 milhões sobre Flávio Bolsonaro (PL), resultado considerado irreversível pela Justiça Eleitoral. É a primeira vez na democracia brasileira que um presidente se reelege duas vezes e também o primeiro caso de vitória após ficar em segundo lugar no primeiro turno.
A campanha, segundo a reportagem, renasceu depois da derrota no primeiro turno, impulsionada por manifestações nas ruas e por ação massiva nas redes sob comando do deputado André Janones (Rede-MG), boa parte sem atuação direta da direção do PT. Em discurso de vitória, Lula agradeceu ao parlamentar e o chamou de "general" da campanha. O novo mandato tem início previsto para 5 de janeiro de 2027.
Lula afirmou que as redes sociais terão papel maior em seu novo governo e defendeu a regulamentação das plataformas. "Foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais. E nós vamos ter que regulá-las", disse. Ele também declarou que o crime no mundo digital deve ser tratado como crime na vida real e criticou empresas que, segundo ele, ganham milhões sem pagar impostos e tentam direcionar o resultado eleitoral. O presidente reconheceu não ser um presidente da maioria, mas afirmou ter sido eleito para governar para todos.
O cenário político é apontado como o mais difícil desde 2003. O PL de Flávio Bolsonaro foi o partido que mais cresceu na eleição, chegando a 121 deputados federais e a 28 senadores a partir do ano que vem. Para o cientista político Lucas Aragão, Lula não terá espaço no Senado e enfrentará um quadro "inédito e desafiador" na Câmara, com alguma margem de negociação junto ao Centrão. O historiador Lincoln Secco, da USP, lembra que o PT historicamente prefere a negociação ao confronto, mas avalia que ainda não se sabe se o governo tentará mobilizar a sociedade civil diante de um Congresso tão antagonista.
Na economia, o novo mandato começa sob cobrança do mercado por ajuste nas contas públicas, com dívida bruta de R$ 11,1 trilhões em agosto, equivalentes a 82,9% do PIB, segundo o Banco Central. Pesquisa Datafolha divulgada no sábado apontava 49% de aprovação ao governo, com 36% de ótimo e bom e 48% de desaprovação. O governo lançou, na reta final da campanha, medidas como isenção de imposto de renda para a classe média, reajuste do Bolsa Família, perdão de dívidas para MEIs e o programa Desenrola 3.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar