Líder opositora María Corina Machado tentou voltar sete vezes à Venezuela e não conseguiu
A líder opositora venezuelana María Corina Machado tentou retornar à Venezuela sete vezes desde que deixou o país, em dezembro de 2025, sem sucesso em nenhuma delas. As três tentativas mais recentes ocorreram em menos de 24 horas e envolveram uma viagem marítima a partir do Panamá e voos planejados para Aruba e Curaçao, segundo informações do jornal espanhol ABC, confirmadas pela emissora colombiana NTN24 e por veículos panamenhos e venezuelanos.
O plano mais recente previa uma embarcação de pequeno porte que partiria do Panamá na noite de segunda-feira (21) e navegaria por cerca de dois dias pelo Caribe até a Venezuela. A saída foi cancelada horas antes do embarque, após a empresa responsável relatar uma falha importante em um dos motores. Com a rota marítima descartada, a equipe buscou alternativas aéreas: um avião chegou a ser preparado para levá-la a Aruba, mas problemas administrativos impediram a operação. Uma terceira tentativa, com destino a Curaçao, também não foi autorizada pelas autoridades responsáveis pelas ilhas. Bonaire foi considerada como alternativa antes de ser descartada.
Ana Corina Sosa, filha da opositora, afirmou à NTN24 que a mãe trabalha diariamente para conseguir retornar, mas reconheceu que existem diferentes obstáculos no processo. María Corina permanece no Panamá. Segundo o ABC, o governo panamenho teve de conceder a ela um passaporte diplomático especial por razões humanitárias, uma vez que seu passaporte venezuelano está vencido e o regime de Caracas não emitiu um novo documento.
As tentativas anteriores de retorno começaram após os terremotos que atingiram a Venezuela. Em 29 de junho, a opositora afirmou que o chavismo havia fechado o espaço aéreo comercial venezuelano para impedir sua entrada. Ela tentou voltar a partir dos Estados Unidos: embarcou em um avião privado que deixou Manassas, na Virgínia, em 26 de junho com destino a Curaçao, mas a aeronave precisou retornar durante o trajeto. Dois dias depois, tentou embarcar em um voo comercial da Copa Airlines entre Panamá e Caracas, sem conseguir seguir viagem. O ABC afirma ter identificado ainda uma terceira tentativa por rota terrestre e uma quarta operação combinando diferentes trajetos, cujos detalhes não foram divulgados.
A movimentação provocou divergências em Washington. Em julho, integrantes do governo Trump demonstraram irritação com a tentativa de retorno durante a emergência dos terremotos, segundo o portal Axios. Trump negou publicamente ter ordenado que ela ficasse fora da Venezuela, e o Departamento de Estado declarou no Congresso que os Estados Unidos não estavam impedindo seu retorno. A agência Reuters informou posteriormente que funcionários americanos pediram de forma reservada que a opositora adiasse a volta. María Corina tem pressionado por uma transição mais rápida para eleições e critica o protagonismo do chavismo nas negociações conduzidas por Washington.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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