De guarda-costas a homem forte: como o neto de Raúl Castro ganhou poder em Cuba
Uma década atrás, o neto do então presidente cubano Raúl Castro era um segurança corpulento que insistia em aparecer nas fotos oficiais durante uma visita de Estado a Paris. Hoje, Raúl G. Rodríguez Castro, coronel do Ministério do Interior, tornou-se interlocutor da família Castro nas negociações com o governo dos Estados Unidos, embora nunca tenha ocupado cargo público.
Rodríguez Castro, de 42 anos, foi citado em um processo federal americano contra uma rede de contrabando que retirava pessoas de Cuba e levava produtos ilícitos para a ilha. Segundo documentos judiciais e entrevistas com pessoas familiarizadas com o caso, ele teria recebido propinas — incluindo uma lancha, um relógio Rolex e roupas de grife — para permitir que mercadorias compradas com cartões de crédito roubados passassem pela alfândega cubana. O esquema, conhecido como Máfia Cubana de Quintana Roo, resultou na condenação de pelo menos 21 pessoas, mas Rodríguez Castro não foi acusado.
Dois réus no caso apontaram o neto de Raúl Castro como colaborador da organização. Um deles, José Miguel González Vidal, condenado a 25 anos de prisão, afirmou que os contrabandistas subornavam Rodríguez Castro para manter a guarda costeira e a alfândega cubanas afastadas. O relato teria sido corroborado por mensagens de texto e áudios extraídos pelo FBI de celulares de integrantes da rede. Um alto funcionário cubano classificou as acusações como caluniosas.
O papel de destaque de Rodríguez Castro nas conversas com o governo Trump surpreendeu até funcionários cubanos, que o viam como um cuidador do avô. Pessoas que conversaram com ele dizem que nunca escondeu a ambição de se tornar o próximo presidente de Cuba, embora não esteja claro se tem apoio interno suficiente. Em resposta às reportagens da imprensa americana, um funcionário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba publicou nas redes sociais que Rodríguez Castro foi alvo de uma “campanha de difamação”.
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