Brasil destina mais ao pagamento de aposentadorias do que a média da OCDE
Brasil destina mais ao pagamento de aposentadorias do que a média da OCDE
O Brasil envelhece em ritmo acelerado e sem estrutura para acompanhar a mudança. A população com 60 anos ou mais já representa 25% da renda dos lares e está presente em 27% dos domicílios, mas o país carece de políticas públicas adequadas para esse público, segundo relatório produzido pelo Itaú Viver Mais em parceria com centros de pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O estudo aponta que os 32 milhões de brasileiros com mais de 60 anos devem chegar a 66,5 milhões até 2050. O envelhecimento já pressiona previdência, saúde e assistência social sem uma base contributiva proporcional. O Brasil destina 12,7% do PIB ao pagamento de aposentadorias, acima da média da OCDE (7,7%), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Mais de 80% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente do sistema público.
Os dados demonstram que o país está envelhecendo rapidamente sem ter superado desafios como a fragilidade previdenciária, a exposição a fraudes e ao superendividamento e a insuficiência de cuidados de longo prazo. Segundo o pesquisador do FGV Analytics Eduardo de Rezende Francisco, não se trata de uma pesquisa de campo com idosos, mas de um estudo analítico, baseado em evidências e complementado por contribuições qualificadas, com recortes que vão do curto prazo, até 2030, a horizontes mais estruturais, entre 2050 e 2060.
Os especialistas destacam que é fundamental olhar para as desigualdades para que essa transição não aprofunde vulnerabilidades. A diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco, Luciana Nicola, afirma que políticas públicas específicas para a população idosa incluem fortalecer o SUS e a assistência social, além de ampliar iniciativas de educação e proteção financeira. No mercado de trabalho, o que se vê é um crescimento da ocupação, mas ainda muito concentrado em rendas mais baixas, com recortes importantes de gênero e raça.
O estudo também aponta uma dimensão de oportunidade na chamada "economia prateada", a partir do protagonismo econômico da população com mais de 60 anos. Mesmo respondendo por cerca de um quarto da renda dos lares, com crescimento de quase 88% na ocupação na última década, essa população enfrenta forte etarismo, o que limita seu potencial como força de trabalho e de consumo. A maioria das pessoas com 65 anos ou mais precisará de cuidados de longo prazo, em um mercado pouco desenvolvido que sobrecarrega as famílias, em especial as mulheres.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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