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A sociedade secreta fundada por alemão enterrado na Faculdade de Direito da USP

Atualizado em 11/08/2026 às 21:35 schedule 2 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uma sociedade secreta fundada por um imigrante alemão no século 19 está na origem da Bucha, entidade estudantil histórica da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo de São Francisco. O grupo, criado oficialmente como Burschenschaft Paulista, nasceu do encontro entre estudantes brasileiros e um professor que chegou ao país em 1828, aos 20 anos, após deixar a Alemanha.

O fundador, nascido em 1808, migrou para o Brasil no contexto das transformações políticas europeias do período. Na faculdade, ele passou a reunir alunos em torno de ideais de confraternização e estudo, em um modelo inspirado nas burschenschaften — associações estudantis alemãs que combinavam rituais de iniciação, hierarquia interna e forte senso de pertencimento. Com o tempo, o grupo ganhou contornos próprios e se consolidou como a Bucha, nome pelo qual a sociedade é conhecida até hoje.

O enterro do imigrante no próprio terreno da faculdade, no centro de São Paulo, reforça o vínculo simbólico entre o fundador e a instituição. A prática, incomum para a época, tornou-se parte da memória oral do Largo de São Francisco e alimenta o mito em torno da origem da sociedade. Não há informação pública detalhada sobre o local exato da sepultura ou sobre a manutenção do túmulo ao longo dos anos.

A Bucha, ao longo de sua trajetória, foi associada a episódios de violência e a disputas internas, mas também a uma rede de influência que atravessa gerações de bacharéis. A entidade nunca teve registro oficial amplamente divulgado, e seus rituais seguem envoltos em sigilo. A origem alemã, no entanto, permanece como um dos poucos elementos documentados de sua história inicial.

O caso ilustra como instituições de elite do ensino jurídico brasileiro preservaram, por quase dois séculos, estruturas de sociabilidade fechadas, com raízes em tradições importadas da Europa. A Faculdade de Direito da USP não comenta oficialmente as atividades internas da Bucha, e os arquivos históricos da sociedade não são acessíveis ao público.

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Por Ivan Marra

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