Títulos prefixados compensam? Histórico é de vitória apertada sobre o CDI
Um levantamento da XP Investimentos analisou o desempenho das LTNs — os títulos do Tesouro Prefixado — carregadas até o vencimento entre 2006 e 2025 e comparou o retorno de cada janela com o CDI do mesmo período. Em 68,8% das observações, o prefixado rendeu igual ou acima do CDI. A distribuição dessas vitórias, porém, mostra que a vantagem costuma ser modesta.
Segundo o estudo, 52,6% das janelas terminaram com o prefixado rendendo entre 100% e 105% do CDI. Somando-se os períodos em que o título ficou ligeiramente abaixo do referencial, entre 95% e 100% (24,2% das observações), chega-se a cerca de 77% dos casos em que o prefixado terminou a menos de 5% de distância do CDI, para cima ou para baixo. Ganhos expressivos foram minoria: o prefixado rendeu entre 105% e 115% do CDI em 10,5% das janelas e acima de 115% em apenas 5,7% — somados, 16,2% das observações.
A XP destaca um ponto que pesa a favor da estratégia: quando perdeu, o prefixado também perdeu por pouco. Resultados abaixo de 95% do CDI somaram 7% das janelas, e abaixo de 85% foram raros (0,8%). O relatório descreve essa relação como uma assimetria favorável, em que as derrotas tendem a ficar perto do CDI e as vitórias, quando grandes, são mais expressivas do que as perdas.
Os maiores ganhos se concentraram em momentos específicos. De acordo com a XP, os maiores excessos de retorno sobre o CDI ocorreram quando os juros partiram de níveis mais elevados, abrindo espaço para cortes grandes nos anos seguintes. O caso mais evidente são as LTNs emitidas por volta de 2016, quando a Selic estava em 14,25%: esses títulos terminaram rendendo cerca de 120% do CDI até o vencimento. Em outros períodos, como os títulos emitidos às vésperas dos ciclos de alta, o prefixado ficou abaixo do referencial. A conclusão da própria XP é que o momento de entrada faz diferença, com benefício maior quando o investidor consegue travar taxas elevadas antes que o ciclo de flexibilização esteja totalmente refletido nos preços.
O ponto de partida atual se parece com os episódios favoráveis do passado, mas não é idêntico. A Selic já recuou de 15%, patamar do fim de 2025, para 13,75%, em um ciclo iniciado em janeiro. A XP projeta a taxa em 13,25% no fim de 2026 e em 11,50% em meados de 2027, ainda acima do nível considerado neutro. Para a casa, a oportunidade atual está nos vencimentos intermediários, que oferecem retorno atrativo com menor exposição às incertezas fiscais e inflacionárias de longo prazo.
O relatório faz três ressalvas. A primeira é que o estudo considera títulos levados até o vencimento; quem vende antes fica sujeito à marcação a mercado. Em exercício hipotético, a XP calcula que um prefixado de cinco anos com taxa de 13,8% ao ano poderia ganhar cerca de 9% ou perder mais de 8% com um deslocamento de 2 pontos percentuais na curva de juros. A segunda é que o levantamento inclui apenas LTNs que já venceram, e títulos emitidos nos últimos anos ainda não entram na conta. A terceira é clássica: desempenho passado não garante resultado futuro.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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