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Tesouro Direto se prepara para forte alta nas taxas e suspensões após vitória de Lula

Atualizado em 26/10/2026 às 07:35 schedule 3 min de leitura visibility 24 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, com cerca de 4,4 milhões de votos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), deve provocar alta das taxas do Tesouro Direto nesta segunda-feira (26). Gestores e economistas ouvidos pelo mercado preveem que os títulos prefixados e os atrelados à inflação devolvam parte — ou até a totalidade — da forte queda de juros registrada após o primeiro turno, quando o mercado passou a apostar na vitória do candidato do PL.

Segundo gestores, o movimento tende a ser intenso porque os preços já embutiam um governo Flávio. O Tesouro Prefixado 2032 recuou de 14,15% ao ano na abertura de 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno, para 12,89% no fechamento de sexta-feira (23). No mesmo período, o Tesouro IPCA+ 2050 passou de IPCA + 7,06% para IPCA + 6,42%. "Você tem uma piora que tende a ser bem mais intensa do que a melhora que aconteceria com a eleição do Flávio", afirmou Luiz Cesario, economista-chefe da Asset1, antes do segundo turno.

Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, projeta alta de pelo menos 1 ponto percentual nas taxas longas em caso de vitória de Lula. Já Bruno Corano, economista da Corano Capital, avalia que o mercado havia precificado boa parte de uma vitória de Flávio e, por isso, a correção com a reeleição tende a ser mais forte e mais rápida. Ele vê espaço para os juros futuros de longo prazo voltarem à faixa de 14% a 15%, igualando ou superando o nível anterior ao primeiro turno, à medida que o mercado incorpora também o custo das medidas anunciadas no ano eleitoral.

Na marcação a mercado, o impacto é maior nos títulos mais longos. Pelos cálculos do InfoMoney, uma alta de 1 ponto percentual na taxa reduziria o preço do Tesouro IPCA+ 2050 em cerca de 20%, enquanto o Tesouro Prefixado 2032 perderia cerca de 4,4% e o Prefixado 2029, cerca de 2%. A queda de preço só se transforma em prejuízo para quem vende antes do vencimento; quem leva o título até o fim recebe a rentabilidade contratada na compra.

Para quem busca proteção no curto prazo, Corano aponta os títulos pós-fixados, categoria em que está o Tesouro Selic. Ele ressalta, porém, que a alta das taxas também abre oportunidades: "Prefixados e títulos atrelados à inflação de prazo longo sofrem perda de marcação a mercado, mas, depois da reprecificação, juros reais muito altos voltam a oferecer pontos de entrada para quem tem horizonte longo". O próximo passo para os juros é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 4 de novembro, dez dias depois da eleição. Com a Selic em 13,75% ao ano, Corano vê alta probabilidade de o Banco Central interromper o ciclo de cortes, em um cenário de real mais fraco e expectativas de inflação pressionadas. A partir de agora, o mercado passa a acompanhar a escolha do ministro da Fazenda, a meta de resultado primário para 2027 e a forma como o Orçamento vai absorver o custo das medidas eleitorais.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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