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Após bater os R$ 5,40 com reeleição de Lula, até onde o dólar pode ir?

Atualizado em 27/10/2026 às 10:50 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A disparada do dólar após a eleição reacendeu o debate sobre até onde a moeda americana pode chegar nos próximos meses e quais fatores serão determinantes para sua trajetória. A reação inicial do mercado foi marcada por forte aversão ao risco, e analistas divergem sobre a magnitude e a duração desse movimento, com projeções que vão de um câmbio acima de R$ 5,60 a uma acomodação gradual para níveis mais próximos de R$ 5,30.

No curto prazo, a avaliação é de que a volatilidade continuará elevada. O resultado eleitoral trouxe incertezas sobre os primeiros passos da nova gestão, levando investidores a buscar proteção em ativos considerados mais seguros. Nesse ambiente, o dólar se fortaleceu diante do real, refletindo não apenas fatores domésticos, mas também a cautela dos agentes financeiros em relação às perspectivas fiscais do país. A principal dúvida é se o novo governo adotará medidas capazes de reduzir as preocupações com as contas públicas. O comportamento do dólar deverá depender, em grande medida, de sinais relacionados ao compromisso fiscal, à trajetória da dívida pública e à composição da equipe econômica.

Reação exagerada?

Há, porém, quem considere que a reação inicial do mercado foi excessivamente negativa. O estrategista de mercados emergentes do Wells Fargo, Álvaro Vivanco, avalia que o movimento observado logo após a eleição exagerou os riscos do cenário. Diante dessa leitura, o banco ampliou sua posição vendida em dólar contra o real, apostando em uma valorização da moeda brasileira ao longo dos próximos meses. A visão parte da expectativa de que o governo seja capaz de apresentar um ajuste fiscal considerado suficiente para restaurar parte da confiança dos investidores. Além disso, a eventual escolha de um ministro da Fazenda bem recebido pelo mercado poderia contribuir para reduzir os prêmios de risco embutidos nos ativos brasileiros. Nesse cenário mais benigno, Vivanco projeta o dólar retornando para a faixa de R$ 5,30, valor que considera próximo do preço justo para o câmbio após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Postura cautelosa

Outros bancos, no entanto, adotam postura mais cautelosa. O JPMorgan avalia que o dólar pode atingir R$ 5,50 nos dias posteriores à eleição caso os investidores revisem rapidamente as expectativas para o cenário fiscal e econômico do país. O Morgan Stanley também trabalha com um cenário mais desafiador, no qual o dólar poderia alcançar R$ 5,60 em caso de deterioração das expectativas fiscais e aumento das incertezas sobre a condução da economia. Para o banco americano, uma piora da percepção de risco poderia pressionar simultaneamente o câmbio, os juros e a Bolsa brasileira. O Goldman Sachs segue linha semelhante nos cenários mais adversos: a moeda americana poderia avançar cerca de 12% e atingir também a região de R$ 5,60 caso o mercado conclua que a política fiscal seguirá um caminho incompatível com a estabilização da dívida pública.

Diante desse quadro, os próximos movimentos do dólar dependerão menos do resultado eleitoral em si e mais dos sinais emitidos pelo novo governo. A definição da equipe econômica, as primeiras medidas fiscais e a capacidade de restaurar a confiança dos investidores serão determinantes para saber se prevalecerá o cenário de acomodação próximo de R$ 5,30 ou as projeções mais pessimistas de câmbio entre R$ 5,50 e R$ 5,60.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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