Fundadores da Anthropic já têm fortuna de US$ 14 bi cada — e podem dobrar com IPO
Os sete cofundadores da Anthropic, empresa responsável pelo Claude, aparecem como acionistas vendedores no formulário S-1 protocolado nesta segunda-feira na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). Cada um detém cerca de 240 milhões de ações, o que, ao preço de US$ 58,90 por papel, equivale a uma participação entre US$ 13,7 bilhões e US$ 14,4 bilhões. Juntos, os fundadores somam aproximadamente 1,69 bilhão de ações, cerca de 10% da companhia.
O grupo deixou a OpenAI em janeiro de 2021 para criar a Anthropic. Fazem parte da lista Dario Amodei, CEO; Daniela Amodei, presidente da empresa e do conselho; Tom Brown, diretor de computação; Jared Kaplan, diretor científico; Sam McCandlish, arquiteto-chefe; Chris Olah, responsável pelas pesquisas de interpretabilidade; e Jack Clark, que lidera o Anthropic Institute. O número de ações que cada um pretende vender na oferta ainda não foi divulgado.
As estimativas de Wall Street apontam para uma estreia na bolsa com avaliação próxima a US$ 2 trilhões. Nesse cenário, cada cofundador teria patrimônio entre US$ 27 bilhões e US$ 29 bilhões. O preço de US$ 58,90 por ação decorre da rodada Série H: entre maio e junho, a empresa vendeu 77,6 milhões de ações preferenciais Série H-1 por US$ 589,0095 cada, levantando US$ 45,7 bilhões. Em setembro, houve desdobramento de 10 para 1 das ações ordinárias.
O prospecto também revela que cada cofundador prometeu destinar 80% de sua participação pessoal a causas filantrópicas, mas ressalva que se trata de "expressões voluntárias e revogáveis da intenção filantrópica", sem obrigação legal. Os valores, beneficiários e cronogramas não foram definidos. O controle, porém, permanece: uma única ação Classe F, detida por uma LLC controlada pelos sete, concentra 50,1% dos direitos de voto, sem participação econômica. Um fundador segue na LLC enquanto mantiver ao menos 2% das ações Classe A que possuía no IPO — ou seja, poderia doar até 98% da participação e manter influência sobre o controle.
O documento reconhece potencial conflito: à medida que as doações avançarem, a participação econômica dos fundadores diminuirá enquanto o poder de voto ficará inalterado, o que pode reduzir o alinhamento com os demais acionistas. Os fundadores estão sujeitos a restrição de venda de 180 dias após o IPO, com possibilidade de dispensa pelos coordenadores Goldman Sachs e Morgan Stanley. Amazon e Google, grandes investidores, terão ações Classe N sem direito a voto, com fatias limitadas a 12% e 14,99%, respectivamente.
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