Selic em queda encarece a meta de R$ 100 mil em 2 anos; veja quanto aplicar por mês
Quem pretende acumular R$ 100 mil em dois anos na renda fixa precisa definir o aporte mensal a partir de duas variáveis: o produto escolhido e a trajetória dos juros no período. Com o Banco Central tendo cortado a Selic pela quinta vez seguida em setembro, para 13,75% ao ano, e o mercado precificando novas reduções, o esforço mensal tende a ser maior do que indicaria uma conta feita com a taxa atual parada.
Simulação do educador financeiro Matheus Oka, da Fire|ce, feita a pedido do InfoMoney, considerou as taxas dos contratos de DI futuro negociados na B3 em vez de manter a Selic estável por 24 meses. A curva aponta um CDI médio de 12,6% ao ano no período, cerca de um ponto abaixo dos 13,65% atuais. Pelas contas, o aporte mensal necessário fica entre R$ 3.726 e R$ 3.851, conforme o investimento.
Quanto investir por mês para juntar R$ 100 mil em 24 meses
- LCI/LCA (90% do CDI): R$ 3.726
- CDB (100% do CDI): R$ 3.758
- Tesouro Selic: R$ 3.761
- Poupança: R$ 3.851
Oka também refez o cálculo num cenário com a Selic parada em 13,75% até o fim do prazo. Nesse caso, o aporte mensal sairia cerca de R$ 36 menor — diferença que, somada em 24 meses, chega perto de R$ 860. Como os juros devem cair, cada real aplicado tende a render menos, e a diferença precisa sair do bolso do investidor.
Mesmo pagando menos que o CDI, LCI e LCA lideram a simulação por causa da isenção de Imposto de Renda para pessoa física. CDB e Tesouro Selic seguem a tabela regressiva, que começa em 22,5% e cai até 15% para aplicações com mais de dois anos. Segundo o educador, uma LCI ou LCA que paga 90% do CDI equivale, em dois anos, a um CDB de cerca de 106% do CDI — o que representa R$ 32 a menos por mês nas letras de crédito.
Entre os produtos tributados, a disputa é apertada: o CDB a 100% do CDI exige R$ 3.758 mensais, contra R$ 3.761 do Tesouro Selic. O título público rende a Selic, um pouco acima do CDI, mas a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano, anula essa pequena vantagem, explica Oka. A cobrança incide apenas sobre o saldo que passa de R$ 10 mil por CPF. No outro extremo, a poupança é a opção mais cara: exige R$ 3.851 por mês, cerca de R$ 125 a mais que LCI e LCA, diferença que chega a aproximadamente R$ 3 mil em dois anos. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a caderneta rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), que também cai junto com os juros.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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