Quem paga pela crise do STF? Lula e Flávio tentam empurrar desgaste ao rival
A crise no Supremo Tribunal Federal deixou de ser uma disputa restrita entre ministros e passou a ocupar o centro da campanha presidencial. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tentam convencer o eleitor de versões distintas sobre o mesmo conjunto de acontecimentos, e as pesquisas indicam que nenhum dos dois conseguiu, até agora, monopolizar essa narrativa.
A estratégia de Flávio é transformar o desgaste do Supremo em problema para Lula. No 7 de Setembro, o candidato afirmou que votar em Lula significaria votar também em Alexandre de Moraes. Após a sessão desta terça-feira (15), que terminou sem decisão sobre a possível investigação do ministro, voltou a associar os dois e acusou ministros indicados pelo petista de atuarem para "blindar" Moraes. O pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a discussão antes de a Corte chegar ao mérito das suspeitas. A orientação na campanha, porém, é concentrar os ataques em ministros e decisões específicas, evitando transformar o STF, como instituição, no principal adversário.
Para Lula, o equilíbrio é mais delicado. O presidente e seus aliados não querem abandonar a defesa do papel exercido pelo Supremo e por Moraes durante os ataques ao sistema eleitoral e os episódios que culminaram no 8 de Janeiro, mas tentam impedir que essa defesa transforme Lula em responsável político pelas condutas de Moraes hoje questionadas. Aliados passaram a destacar que Moraes não foi indicado por Lula: chegou à Corte em 2017, escolhido pelo então presidente Michel Temer, e ocupou cargos em governos paulistas do PSDB. Segundo a Folha de S.Paulo, Lula classificou reservadamente o julgamento como um "show de horrores" e passou a defender transparência sobre as relações de Daniel Vorcaro com integrantes do Supremo.
Os números sobre a percepção do eleitor sugerem efeitos diferentes para as duas estratégias. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (17) mostra praticamente empate sobre quem está mais envolvido nas fraudes do Master: 41,2% apontam aliados de Jair Bolsonaro e 40,2% citam aliados de Lula. Quando a pergunta muda para o Supremo, a divisão desaparece: para 49,5%, a crise na Corte prejudica mais Lula, enquanto 20,9% dizem que Flávio sofre o maior desgaste e 14,4% enxergam prejuízo semelhante para os dois.
A contraofensiva petista explora as relações de Flávio com Vorcaro e o financiamento de "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. Investigações tornaram públicas mensagens nas quais Flávio buscava recursos com o banqueiro para a produção, que recebeu aportes milionários ligados ao projeto. Flávio afirma que sua relação com o ex-dono do Master se limitou à busca de patrocínio para o filme e nega irregularidades. Pesquisa Meio/Ideia divulgada em 9 de setembro mostrou que 47,9% dos entrevistados dizem que a relação entre Flávio e Vorcaro reduz sua chance de votar no candidato do PL, enquanto para 32,2% a informação não altera o voto.
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