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Os anúncios no Facebook que espalham desinformação em eleição na Sérvia

Atualizado em 25/10/2026 às 09:05 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O Serviço Mundial da BBC identificou dezenas de páginas no Facebook que, nas semanas anteriores à eleição parlamentar antecipada na Sérvia, publicaram anúncios políticos pagos com acusações sem comprovação contra opositores e com foco no movimento estudantil. Apesar do conteúdo político, os anúncios não informavam de forma clara quem os financiou, como exigem as políticas da Meta, empresa dona da rede social.

Nas 56 páginas identificadas pela reportagem, foram publicados ao menos 90 anúncios nas plataformas da Meta entre meados de setembro e meados de outubro. A empresa removeu 47 desses anúncios ao longo do último mês. Em todos os casos, os anunciantes deixaram de classificá-los como conteúdo relacionado a "questões sociais, eleitorais ou políticas". Quando um anúncio é removido, mais informações sobre ele passam a ficar disponíveis na Biblioteca de Anúncios da Meta.

Embora a lei sérvia de financiamento de atividades políticas proíba recursos estrangeiros em propaganda política, a BBC constatou que todos esses anúncios foram pagos em moeda romena, o leu. Até 16 de outubro, os gastos somavam ao menos 29.437 lei, o equivalente a cerca de R$ 30 mil. Segundo dados da Meta, ao menos três anúncios foram pagos por uma empresa da Romênia, país vizinho da Sérvia. Todo anúncio pago no Facebook está vinculado a uma página e, em texto, imagem ou vídeo, pode alcançar públicos muito além da audiência orgânica da página.

A propaganda política é permitida nas plataformas da Meta na Sérvia, mas as regras de transparência variam conforme quem financia a campanha. Partidos precisam declarar gastos de campanha. Já os chamados "terceiros" — páginas que promovem conteúdo eleitoral sem vínculo direto com partidos — devem reportar à Agência Anticorrupção antes de gastar acima do limite legal em campanhas online. Até agora, porém, nenhuma comunicação desse tipo foi registrada.

A maior parte das páginas identificadas pela BBC foi criada em 9 e 10 de setembro, exatamente quando as eleições foram convocadas. As fotos de perfil foram geradas por inteligência artificial e os nomes não tinham relação com política, como "Perfume do Quintal da Vovó" ou "Assuntos para o Café". Essas 56 páginas foram extremamente ativas, publicando mais de 800 vídeos curtos contra candidatos do movimento Estudantes Vencerão e políticos da oposição. Alguns vídeos acumularam milhões de visualizações, embora as páginas tivessem apenas algumas dezenas de seguidores — a promoção paga ajudou esses conteúdos a alcançar um público maior.

Os vídeos frequentemente tinham como alvo lideranças do movimento estudantil, retratadas como violentas ou irresponsáveis. Em alguns casos, candidatos eram acusados de abuso de poder ou uso indevido de dinheiro público, mas sem qualquer evidência de irregularidade apresentada. Um vídeo visto milhões de vezes atacava a fé muçulmana da candidata de oposição Sanela Ramadanović, em um país de maioria cristã ortodoxa. A Meta afirmou que anunciantes que desejam veicular conteúdos sobre questões sociais, eleições ou política precisam passar por um processo de autorização e informar quem pagou pelo anúncio, e que os demais anúncios foram retirados por terem sido publicados sem a autorização e a identificação exigidas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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