Lula pode ser 'varrido' em breve por onda de direita na América Latina, diz revista americana
Uma coluna publicada nesta quarta-feira (21/10) na revista americana The New Yorker afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está diante de uma possível derrota que pode representar o fim de sua carreira política e alinhar o Brasil a uma onda de direita que tomou grande parte da América Latina. O texto é assinado pelo jornalista Ishaan Tharoor e tem como título "A última dança de Lula", em tradução livre.
Segundo a coluna, as chances no segundo turno estão a favor de Flávio Bolsonaro, descrito como um político da direita radical. Para sustentar essa perspectiva, o texto cita o resultado "surpreendente" do primeiro turno, em que Flávio ficou à frente de Lula, além do histórico brasileiro de que, desde 1989, todos os candidatos à presidência que venceram o primeiro turno ganharam também o segundo. "Lula espera que milhões de brasileiros descontentes, que não votaram no primeiro turno, ainda compareçam às urnas para votar nele", escreve Tharoor, lembrando no entanto das amplas vitórias da direita no Congresso e nos estados. "Mesmo que Lula consiga uma vitória apertada, ele poderá passar seu próximo mandato bastante limitado por uma estrutura federal dominada pela direita."
Com Flávio como favorito na disputa, o Brasil está "prestes a se tornar o nome mais importante em uma longa lista de países latino-americanos que se voltaram para a direita nos últimos dois anos", uma "guinada" que vai ao encontro da visão ideológica da gestão do presidente americano Donald Trump para o hemisfério, afirma o colunista.
O texto enumera conquistas dos dois primeiros mandatos de Lula, citando a redução do desmatamento na Amazônia, a liderança do Brasil em questões climáticas e uma política externa que colocou o país à frente do chamado "Sul Global". Menciona também "vultuosos gastos sociais", favorecidos por um ciclo de alta nos preços das commodities e que fizeram com que "dezenas de milhões de pessoas" saíssem da pobreza. A coluna aborda ainda a derrocada política de Lula após o impeachment de Dilma Rousseff e a Operação Lava Jato, que o fez ficar na prisão por 580 dias, entre abril de 2018 e novembro de 2019.
Mesmo com a nova vitória em 2022, quando derrotou o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula não tem conseguido conquistar brasileiros impactados pelo alto custo de vida, preocupados com questões referentes à segurança e à Justiça e pessimistas sobre o futuro do país, segundo a publicação. O texto também compara Lula a Joe Biden: "Lula e Joe Biden, veteranos bem conhecidos de um status quo mais antigo e de orientação liberal, pareciam ser o tipo certo de político para impedir a reeleição de Bolsonaro e Trump, respectivamente; contudo, não conseguiram derrotar o trumpismo ou o bolsonarismo enquanto movimentos", afirma Tharoor. O colunista faz, porém, uma ressalva: "Ninguém pode acusar Lula, como fizeram com Biden, de não ter a capacidade mental e física necessária para o cargo — suas redes sociais trazem vários vídeos dele praticando exercícios."
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar