O que o setor produtivo espera para continuar investindo no Brasil?
Investir em inovação no Brasil exige mais do que uma boa ideia ou uma tecnologia promissora. Segundo o artigo de Flávio Guimarães, presidente da Corning na América Latina e Caribe, é preciso planejamento, visão de longo prazo e, principalmente, um ambiente que permita às empresas tomar decisões com segurança. Para o setor produtivo, essa combinação se torna cada vez mais relevante diante da velocidade das transformações tecnológicas e da necessidade de ampliar a competitividade da indústria.
O autor observa que a proximidade de novos ciclos políticos naturalmente amplia as discussões sobre os rumos da economia e as condições para novos investimentos. Ainda assim, defende que, independentemente de governos ou calendários eleitorais, há fatores estruturais que precisam ser tratados como compromissos de longo prazo: previsibilidade regulatória, infraestrutura, qualificação profissional e estímulo à inovação.
Na avaliação de Guimarães, para decidir onde e quanto investir, uma empresa não pode olhar apenas para a demanda atual — é necessário considerar o ambiente que existirá nos próximos anos. Mudanças frequentes em regras, insegurança sobre marcos regulatórios ou dificuldade para projetar custos tendem a aumentar a cautela e a postergar decisões que poderiam gerar ganhos de produtividade, empregos e desenvolvimento tecnológico. Ele ressalta, porém, que previsibilidade não significa ausência de mudanças: a economia precisa evoluir, mas de forma estruturada, com regras claras e horizonte suficiente para que o setor produtivo consiga se adaptar e planejar.
Outro ponto destacado é a infraestrutura. A digitalização das operações, a automação, a inteligência artificial e a crescente demanda por conectividade ampliaram a dependência de redes de energia, telecomunicações, logística e processamento de dados eficientes e confiáveis. Com isso, a competitividade industrial passa a depender cada vez mais da capacidade de produzir, transportar, conectar e processar informações com eficiência.
O artigo também aponta a necessidade de aproximar a produção científica das necessidades concretas da indústria. O país reúne universidades, centros de pesquisa e profissionais qualificados, mas ainda há espaço para avançar nessa conexão. Incentivar parcerias entre empresas, instituições de ensino e centros tecnológicos pode acelerar o processo e ajudar a transformar pesquisa em produtos, processos e soluções capazes de competir globalmente. Nesse contexto, inovar não se resume ao desenvolvimento de uma tecnologia inédita: significa também melhorar processos, aumentar produtividade, reduzir desperdícios, incorporar novos materiais, automatizar etapas e encontrar formas mais eficientes de responder ao mercado.
Como conclusão, o autor afirma que o Brasil tem condições de ampliar sua participação em cadeias industriais de maior valor agregado, mas isso depende de uma agenda que ultrapasse os ciclos de curto prazo. As companhias precisam de condições para investir, os profissionais precisam de oportunidades para se qualificar e o país precisa criar um ambiente em que a inovação seja tratada como parte da estratégia de desenvolvimento, e não como um movimento pontual.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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