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Menos calorias, mais proteína: cias. de alimentos tentam digerir avanço do GLP-1

Atualizado em 19/09/2026 às 09:35 schedule 3 min de leitura visibility 39 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O avanço dos medicamentos GLP-1, usados para perda de peso, está redesenhando hábitos de consumo e pressionando a indústria de alimentos a se adaptar. Casos como o do enfermeiro Dan Sherry, de 58 anos, que mora em Holland, Michigan, ilustram a mudança: após receber prescrição de Ozempic na primavera de 2024, quando pesava 95 kg e tomava remédios para pressão alta, ele hoje pesa 72 kg, tem a pressão sob controle e a cintura 15 centímetros menor. Sherry passou a sair menos para comer, bebe menos álcool e costuma comer apenas metade da refeição. No supermercado, coloca mais carne e shakes de proteína no carrinho, enquanto um pacote de chips se tornou, segundo ele, um "luxo raro". Sua conta de supermercado caiu entre 10% e 15%.

O comportamento se repete entre os milhões de americanos que recorrem a injeções semanais como Wegovy, Ozempic e Zepbound — cerca de 11% da população adulta, segundo o texto, com expectativa de crescimento. Como os medicamentos retardam a digestão e reduzem as calorias diárias, os médicos costumam orientar maior consumo de proteína, para proteger os músculos, e de fibras, para compensar efeitos gastrointestinais. O resultado é que os consumidores não apenas comem menos, mas comem de forma diferente, deixando pães e massas e buscando carnes e vegetais. Vendas de álcool, chips, sorvetes e refrigerantes já sentem o impacto, e restaurantes observam mudanças nos pedidos.

Diante desse cenário, analistas do J.P. Morgan preveem que as receitas da indústria de alimentos e bebidas podem cair até US$ 55 bilhões até 2030. As empresas reagem lançando produtos com mais proteína ou fibra: waffles congelados, iogurtes, biscoitos, Doritos proteicos, uma versão do Kraft Mac & Cheese com alto teor proteico, Pop Tarts proteicos e espuma fria de proteína nos lattes da Starbucks. A PepsiCo lançou uma versão dos snacks SunChips com mais fibras, e a WK Kellogg reforçou o marketing de cereais ricos em fibras, como o Raisin Bran.

A Campbell's lançou em julho uma linha de sopas ricas em proteínas, com 20 gramas por lata, após pesquisa indicar que usuários dos medicamentos buscavam alimentos reconfortantes para lidar com efeitos colaterais. A Nestlé lançou em 2024 o Vital Pursuit, linha de refeições congeladas comercializada como "GLP-1 Friendly", cujos itens mais vendidos são pizzas com 33 gramas de proteína e 17 gramas de fibra. Segundo a empresa, porém, apenas 20% desse negócio vem de usuários reais de GLP-1.

Restaurantes também se movimentam. O Olive Garden introduziu um menu de porções menores e mais baratas, e a Chipotle lançou um cardápio rico em proteínas com bowls rotulados como "GLP-1 Friendly". O McDonald's, segundo seu CEO, ainda não viu impacto significativo, exceto pelo aumento de adultos pedindo Happy Meals. Pesquisa da PWC aponta que famílias com ao menos um usuário desses medicamentos gastaram menos em restaurantes de pizza, frango e hambúrguer, e mais de um terço dos entrevistados disse querer porções menores. Para a consultoria Marlin Connections, muitos restaurantes ainda não estão atentos a essa mudança.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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