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Japão acelera investimento militar para enfrentar ameaças de China e Rússia

Atualizado em 05/09/2026 às 14:50 schedule 3 min de leitura visibility 13 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O governo do Japão anunciou um orçamento de US$ 55,6 bilhões para a defesa no próximo ano fiscal, em um movimento que marca o abandono de décadas de pacifismo absoluto. A decisão, sob a gestão da primeira-ministra Sanae Takaichi, é uma resposta direta ao avanço militar chinês no Indo-Pacífico, aos testes de mísseis da Coreia do Norte e à instabilidade gerada pela guerra da Rússia contra a Ucrânia.

O cenário de segurança é considerado o mais grave desde 1945. A expansão da Marinha e da aeronáutica da China em áreas próximas ao território japonês é a principal preocupação de Tóquio, que também monitora o programa nuclear norte-coreano. A aproximação estratégica entre Pequim e Moscou e as lições do conflito na Ucrânia convenceram o governo japonês de que não é mais possível depender exclusivamente da proteção americana para garantir a estabilidade regional e a soberania das ilhas no sudoeste do país.

Uma das mudanças mais significativas é a nova doutrina de contra-ataque. Antes, a defesa japonesa se limitava a interceptar ameaças após um lançamento contra seu território. Agora, o país está autorizado a atingir instalações militares inimigas para impedir novas ondas de ataques em circunstâncias específicas. Especialistas jurídicos apontam que a medida flexibiliza o Artigo 9 da Constituição, que renunciava à guerra. O governo afirma que o objetivo não é a agressão, mas aumentar o custo de qualquer ofensiva contra o país, funcionando como dissuasão estratégica.

A pressão de Washington também pesou na decisão. Com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, a exigência para que aliados assumam maior parcela dos custos de defesa foi reforçada. Em paralelo, cresceu no Japão a dúvida sobre até que ponto os americanos estariam dispostos a arcar sozinhos com o ônus de um conflito de grandes proporções. Tóquio antecipou a meta de elevar os gastos militares para 2% do Produto Interno Bruto (PIB), buscando autossuficiência sem romper a aliança histórica com os EUA.

Para sustentar o rearmamento, o Japão também está desmontando barreiras que limitavam a exportação de armas. O volume de projetos contratados na área saltou de US$ 108 bilhões para US$ 272 bilhões, com investimentos para modernizar linhas de produção e proteger cadeias de suprimentos. O país já fechou contratos de fragatas com a Austrália e desenvolve um caça de nova geração com Reino Unido e Itália, consolidando-se como uma potência capaz de projetar força e reunir parceiros internacionais.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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