De onde vieram os votos de Augusto Cury? Pesquisa dá pistas sobre avanço
A ascensão do escritor Augusto Cury na corrida presidencial não ocorreu às custas de apenas um dos favoritos. Segundo a pesquisadora Cila Schulman, CEO do Instituto Ideia, o candidato tirou votos tanto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto de Flávio Bolsonaro (PL), mas encontrou espaço principalmente entre mulheres evangélicas resistentes às duas principais candidaturas.
“Quando você olha o fenômeno Augusto Cury, ele trouxe muita mulher evangélica. Ele roubou voto de todo mundo, roubou voto do Lula, roubou voto do Flávio, voto dele veio de muitos lugares”, afirmou Schulman durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.
De acordo com a pesquisadora, pesaram nesse movimento eleitoras conservadoras, preocupadas com corrupção e que também apresentavam resistência a Flávio. “Mulheres evangélicas foram um público muito importante, mulheres que estão ali, que são contra a corrupção, que são mais conservadoras e que tinham uma resistência ali ao Flávio, e que viram no Augusto Cury ali um caminho”, disse.
Cury também conseguiu ocupar temporariamente um espaço entre eleitores sem candidato e insatisfeitos com a polarização. Para Schulman, o primeiro debate presidencial foi decisivo para esse movimento, ao dar visibilidade ao candidato e produzir cortes que circularam pelas redes sociais. Segundo ela, Cury chegou a “pessoas que estavam sem um candidato e cansadas da polarização”. O avanço, porém, perdeu força.
A desaceleração abre uma disputa sobre para onde esses votos podem migrar. Schulman observa que boa parte do eleitorado das demais candidaturas tem em comum a rejeição à continuidade do atual governo. Para Flávio, há um desafio particular: parte dessas mulheres tem perfil conservador, mas mantém resistência à família Bolsonaro. É nesse ponto que Michelle Bolsonaro pode ganhar importância, segundo Bárbara Baião, analista de política da XP, que classificou a ex-primeira-dama como um “fenômeno” na comunicação com mulheres conservadoras das periferias e afirmou que Flávio ainda enfrenta forte rejeição nesse segmento.
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