Como nova onda de ataques às vacinas gerou efeito reverso nas redes sociais, segundo levantamento
Levantamento aponta reação majoritariamente pró-vacina após ataques de políticos nas redes
Uma nova onda de ataques às vacinas promovida por políticos de direita ampliou a discussão sobre imunização nas redes sociais, mas foi seguida por uma reação majoritariamente favorável à vacinação. É o que aponta um levantamento da plataforma de monitoramento digital Torabit, obtido pela BBC News Brasil, que analisou 93.755 publicações únicas com o termo "vacina" no X, Facebook, Instagram e Bluesky entre os dias 3 e 10 de agosto.
No período, 54,4% das publicações foram classificadas como pró-vacina, enquanto 28,3% foram antivacina. Considerando apenas os conteúdos que assumiram posição sobre o tema, 65,8% eram favoráveis à imunização e 34,2%, contrárias. Segundo a Torabit, o padrão se repetiu após as duas principais ondas de conteúdo antivacina: aumento imediato da discussão e posterior reversão da tendência, com o efeito de cada investida durando aproximadamente 48 horas.
A movimentação inicial foi impulsionada pela repercussão do depoimento do imunologista Anthony Fauci no Senado americano e por um vídeo do deputado Nikolas Ferreira, publicado em 2 de agosto, retomando alegações sobre a pandemia. Na segunda metade do período, o debate voltou a ganhar força com o avanço do surto de sarampo em São Paulo — que concentra 23 dos 24 casos do país — e com um vídeo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, publicado em 7 de agosto, defendendo a liberdade dos pais para decidir sobre a imunização dos filhos.
Os dados mostram repercussões diferentes entre os dois episódios. O vídeo de Nikolas representou 3% de todas as menções sobre vacinas no período, e 87,9% das publicações que o citavam eram pró-vacina. Já o conteúdo de Eduardo respondeu por 6,4% das menções, com pico no sábado e no domingo, quando esteve presente em 26,2% das publicações sobre vacinas em cada dia. Entre as menções que citavam Eduardo, 60,9% eram pró-vacina e 31,6% antivacina. O surto de sarampo também impulsionou a defesa da vacinação: entre as publicações que mencionavam o tema, 72,7% eram favoráveis à imunização.
O levantamento não permite determinar se os ataques provocaram diretamente o aumento das manifestações pró-vacina. O período também foi marcado pelo início da campanha nacional de multivacinação, o que contribuiu para ampliar a discussão sobre o tema. A análise ainda identificou diferença entre gêneros: entre perfis femininos com posição definida, 67% das menções eram pró-vacina, contra 56% entre os masculinos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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