Tecno-utopistas querem construir uma cidade para o mundo pós-IA — no Uruguai
Os fundadores da Praxis, empresa e comunidade online apoiada por centenas de milhões de dólares em financiamento de uma empresa de criptomoedas, afirmam ter encontrado no Uruguai o local para construir sua cidade do futuro. A escolha ocorre após uma busca que passou por regiões do Mediterrâneo — descartadas por estarem, segundo o grupo, próximas demais de conflitos ativos — e pela Groenlândia, ideia que enfrentou resistência pública.
“A viagem pelo mundo terminou: escolhemos o Uruguai”, disse Dryden Brown, CEO da Praxis, em entrevista. Brown, de 30 anos, ex-surfista profissional, defende uma visão de sociedade centrada no Ocidente e voltada para valores tradicionais, o que tem atraído ceticismo e controvérsia. Ele pretende instalar o centro do projeto dentro de outra cidade startup em desenvolvimento perto de Colonia del Sacramento.
O empreendimento que abrigará a iniciativa chama-se +Colonia e é liderado por Eduardo Bastitta, empresário nomeado assessor pelo presidente argentino Javier Milei. Até agora, a Praxis assinou apenas um acordo em grande parte não vinculante com a empresa de Bastitta, e há dúvidas sobre se a promessa de construir uma cidade do zero sairá do papel. Pelo contrato, a Praxis começará a adquirir terrenos dentro da área de +Colonia até o fim do próximo ano.
Segundo Brown, os futuros moradores — descritos como “alguns dos pensadores mais talentosos e brilhantes do mundo” — desenvolverão novos sistemas culturais, econômicos e de governança para um mundo pós-inteligência artificial. Os detalhes ainda são escassos, mas a ambição é grande: a cidade serviria como laboratório de uma nova cultura inspirada na estética da Grécia Antiga, de Roma e do Renascimento, baseada em valores como verdade, beleza e heroísmo. Brown planeja se mudar para o Uruguai já em dezembro, e outros membros da comunidade devem ocupar os primeiros edifícios de +Colonia no próximo ano.
O projeto se insere em um movimento mais amplo entre empreendedores do Vale do Silício para criar refúgios administrados como corporações privadas, inspirado no conceito de “network state” popularizado por Balaji Srinivasan. Críticos descrevem iniciativas do tipo como tentativas elitistas de magnatas da tecnologia de se separarem da sociedade ou como sonhos impossíveis; defensores argumentam que podem funcionar como laboratórios de governança capazes de acelerar a inovação ao reduzir burocracias. Brown afirma que uma governança independente não é requisito imediato, já que a Praxis pretende operar dentro do sistema jurídico uruguaio.
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