Anvisa aprova versão da caneta Wegovy em comprimido: o que falta para chegar às farmácias?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a versão em comprimido do Wegovy, medicamento para obesidade da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk. É o primeiro remédio oral da classe dos agonistas de GLP-1 — a mesma das chamadas canetas emagrecedoras — liberado no país para tratar obesidade e sobrepeso. O comprimido tem o mesmo princípio ativo da caneta, a semaglutida, mas é tomado uma vez por dia, em vez de uma injeção semanal. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Resolução 4.249/2026, após pedido de registro protocolado pela empresa em 30 de janeiro deste ano.
A aprovação da Anvisa é apenas o primeiro passo. Antes de chegar às prateleiras, o remédio precisa ter um preço máximo definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão do governo federal que fixa o valor teto de todos os medicamentos vendidos no país. Só depois disso a empresa pode iniciar as vendas. Ainda não há preço nem data de lançamento no Brasil; em nota à imprensa, a Novo Nordisk afirma apenas que o comprimido deve chegar às farmácias brasileiras "nos próximos trimestres".
O medicamento é indicado para adultos com obesidade, ou seja, com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 30. Também vale para adultos com sobrepeso (IMC entre 27 e 30) que tenham pelo menos uma doença associada ao peso, como hipertensão ou diabetes tipo 2. Em todos os casos, deve ser usado junto com mudanças na alimentação e prática de atividade física.
No exterior, o comprimido está à venda nos Estados Unidos desde janeiro, após aprovação da FDA em dezembro de 2025. Para quem paga do próprio bolso, o preço vai de US$ 149 por mês na dose inicial a US$ 299 nas doses mais altas. Segundo a Novo Nordisk, mais de 7 milhões de prescrições já foram dispensadas no país desde o lançamento. Em junho, os Emirados Árabes Unidos se tornaram o primeiro país fora dos EUA a vender o remédio. No Reino Unido, as vendas começaram em julho em farmácias privadas, e o remédio ainda não é oferecido pelo sistema público de saúde britânico. A União Europeia aprovou o comprimido em julho, e a Alemanha foi o primeiro país do bloco a vendê-lo, a partir de 1º de setembro. O medicamento também foi aprovado no Bahrein.
A aprovação se baseou principalmente no estudo OASIS 4, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, com 307 adultos sem diabetes e com resultados medidos após 64 semanas. No grupo que tomou o comprimido, a perda média de peso foi de 13,6%, contra 2,2% no grupo placebo. Quase um terço dos participantes perdeu 20% do peso ou mais. Os efeitos colaterais mais comuns foram gastrointestinais, como náusea e diarreia, e afetaram 74% de quem tomou o remédio, contra 42% no placebo. A dose do comprimido é maior que a da caneta — 25 mg por dia na fase de manutenção, contra 2,4 mg por semana — porque parte da substância se perde no sistema digestivo antes de chegar à corrente sanguínea. O remédio deve ser tomado em jejum, com pouca água, e é preciso esperar ao menos 30 minutos para comer, beber ou tomar outros medicamentos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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