30 shows, 1 palco: como as residências artísticas dominaram a indústria da música
Harry Styles iniciou nesta quarta-feira (26) uma série de 30 apresentações no Madison Square Garden, em Nova York, no que a indústria da música considera o exemplo mais ambicioso de uma tendência que ganha força: realizar mais shows em menos cidades. O cantor britânico de 32 anos fará 67 apresentações distribuídas por apenas sete cidades ao redor do mundo, estratégia que gerou corrida por ingressos e reacendeu o debate sobre o modelo de residências artísticas.
Para artistas e promotores, o formato combina economia de custos — com redução significativa de gastos com transporte e combustível — e a possibilidade de criar espetáculos mais elaborados. “Temporadas mais longas permitem que os artistas criem experiências que simplesmente não são práticas quando a produção está constantemente em movimento”, afirmou Omar Al-joulani, presidente da divisão de turnês da Live Nation. A empresa promoverá mais de 470 apresentações em formato de residência neste ano, a maior parte em Las Vegas.
O modelo, no entanto, não é novo. Bruce Springsteen ganhou notoriedade com uma temporada de dez apresentações no clube Bottom Line em 1975, e Prince realizou 21 shows na O2 Arena de Londres em 2007. Las Vegas, antes vista como destino para artistas em fim de carreira, tornou-se uma das capitais do entretenimento ao vivo, com Celine Dion arrecadando cerca de US$ 660 milhões em duas residências iniciadas em 2003. Mais recentemente, a Sphere, arena de US$ 2,3 bilhões inaugurada com shows do U2 em 2023, elevou o padrão visual dos concertos.
O formato também reduz o desgaste físico das turnês e permite rotina mais confortável para artistas e equipes, como explicou Michele Bernstein, ex-executiva da William Morris Endeavor. Mas há um custo para os fãs, que muitas vezes precisam viajar longas distâncias. “É pior para os fãs”, disse Jonathan Daniel, da Crush Music. “Mas nenhum artista pensa: ‘como podemos tornar isso pior para os fãs?’”.
Dados da Live Nation mostram que quase seis em cada dez fãs viajam para pelo menos um show por ano, e 91% dos entrevistados afirmaram que um evento ao vivo já influenciou a decisão de visitar um destino pela primeira vez. Craig Church, fã de 38 anos da região da Baía de São Francisco, é exemplo dessa tendência: gastou cerca de US$ 10 mil em uma viagem de uma semana a Londres para assistir a um show de Styles, dos quais aproximadamente US$ 4.400 estavam diretamente ligados à turnê. “No fim, valeu todo o trabalho”, disse.
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