É uma usina solar ou uma ferrovia? Numa cidade suíça, são as duas coisas
Uma startup suíça desenvolveu um sistema de painéis solares removíveis instalados entre os trilhos de ferrovias, transformando a malha ferroviária do país em uma fonte de geração de energia limpa. O projeto-piloto, iniciado em abril do ano passado na vila de Buttes, aos pés de uma montanha, demonstrou a viabilidade da tecnologia em um trecho equivalente ao comprimento de um campo de futebol.
De acordo com a Sun-Ways, empresa responsável pelo sistema, os painéis podem ser removidos em cerca de 10 minutos por um único trabalhador, o que garante acesso rápido aos trilhos para reparos e manutenção. A empresa estima que, se a tecnologia fosse adotada em toda a malha ferroviária suíça, que se estende por mais de 5 mil quilômetros, seria possível suprir até 30% da demanda energética do transporte público do país.
A iniciativa já atraiu interesse internacional. Em fevereiro, a SNCF, companhia ferroviária nacional da França, firmou uma parceria com a Sun-Ways para avaliar a tecnologia em sua rede de cerca de 29 mil quilômetros. A empresa francesa, que se descreve como a maior proprietária de terras e a maior consumidora de eletricidade do país, está testando pelo menos dez modelos diferentes de instalações solares. O governo da Coreia do Sul também aprovou um projeto-piloto de dois anos no Instituto Coreano de Pesquisa Ferroviária.
Além da geração de energia, os painéis oferecem um benefício adicional: impedem o crescimento de vegetação entre os trilhos, reduzindo custos de manutenção. O fundador da Sun-Ways, Joseph Scuderi, explica que a ideia de instalar energia solar em ferrovias não é nova e já apareceu em mais de uma dúzia de patentes anteriores, mas o diferencial do projeto atual é a possibilidade de remoção rápida dos módulos.
Especialistas apontam que a expansão da energia solar enfrenta cada vez mais restrições de espaço, e a instalação sobre infraestruturas existentes ajuda a resolver parte desse problema. Um engenheiro e consultor de energia italiano, que negociou uma licença com a Sun-Ways para um projeto-piloto na Itália, calcula que equipar 20% da malha ferroviária italiana com painéis solares adicionaria cerca de 1 gigawatt de capacidade de geração, suficiente para abastecer até 1 milhão de residências. Ainda há desafios a superar, como as perdas de eletricidade no transporte do excedente para a rede elétrica e a viabilidade econômica do sistema, que deve ficar mais clara até o fim do piloto em Buttes, previsto para 2028.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar