Análise: Por que Putin acredita que ainda pode vencer, apesar dos reveses
No quinto ano da guerra, as dificuldades para o presidente russo, Vladimir Putin, se acumulam. As tropas desaceleraram no campo de batalha, os gastos com o conflito superaram as expectativas e a população demonstra crescente preocupação com o futuro. A capacidade de Putin de projetar controle foi abalada pelos ataques ucranianos em território russo, que atingem quase diariamente armazéns de comércio eletrônico, refinarias de petróleo e outras instalações estratégicas.
Apesar do cenário adverso, o líder russo dá poucos sinais de que pretende interromper a guerra. Ele tem sugerido que a situação de Kiev seria ainda pior e alertou que a Ucrânia sofrerá consequências por meio de uma escalada militar já em andamento. "Na avaliação dele, a Rússia só precisa se sair um pouco melhor do que a Ucrânia", afirmou Alexander Gabuev, diretor do Carnegie Russia Eurasia Center, em Berlim. Segundo o especialista, Putin acredita que Kiev "acabará desmoronando" se ele simplesmente resistir por mais tempo.
Enquanto insiste na guerra, Putin busca conter uma situação doméstica que parece significativamente pior do que há um ano. Pesquisa recente do instituto independente Levada Center mostrou que o apoio às ações militares caiu ao menor nível desde o início da invasão. As perspectivas econômicas também pioraram, especialmente após a entrada em vigor de novos impostos destinados a financiar os crescentes gastos de guerra. Às vésperas das eleições parlamentares do próximo mês, o governo demonstrou preocupação com um possível aumento da insatisfação ao impedir a participação do partido antiguerra Yabloko no pleito.
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