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Vale investir nos EUA após vitória democrata? Gestor vê cenário favorável

Atualizado em 05/11/2026 às 10:05 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que superou as expectativas e garantiu o controle da Câmara e do Senado, deve ter impacto positivo para os mercados americanos, na avaliação de Marcelo Cabral, gestor de investimentos e sócio-fundador da Stratton Capital, gestora com sede em Nova York.

Segundo o gestor, o mercado prefere um governo dividido — a chamada paralisia política — a um governo com carta branca para intervir na economia. O cenário ocorre quando a Presidência e o Congresso ficam sob o controle de partidos diferentes e as forças políticas se anulam. "A falta de consenso impede a introdução de mudanças legislativas drásticas e abrangentes, limitando a interferência de Washington no andamento da economia", explica Cabral. Ele observa que, no Brasil, a palavra "paralisia" soa como crise, desgoverno e desastre, mas nos Estados Unidos o "gridlock" é considerado uma boa notícia pelo mercado. A lógica é que, se o governo não consegue aprovar leis e reformas, os políticos não interferem na economia, que tende a prosperar.

O segundo fator que anima os investidores é a perspectiva mais favorável para o déficit público americano, o que tira pressão das taxas de juros. "Um Congresso controlado pelos democratas deverá bloquear novas iniciativas de gastos e reduções de impostos, dificultando a expansão agressiva dos gastos públicos", diz o gestor. O terceiro ponto é a redução do prêmio de risco político embutido no preço dos ativos: com o resultado conhecido e a distribuição de poder em Washington definida, a incerteza diminui, o que tende a valorizar os ativos.

Cabral lembra que, historicamente, o mercado registra fortes altas após as eleições de meio de mandato, independentemente do resultado. Desde 1950, o índice S&P 500 teve valorização média de aproximadamente 15% nos 12 meses seguintes a essas votações. Na Bolsa, a avaliação é que um governo dividido tende a preservar o ambiente regulatório atual, favorável às grandes empresas de tecnologia. Embora alguns parlamentares democratas tenham defendido maior supervisão sobre a inteligência artificial e pedido moratórias para a construção de novos data centers, a paralisia legislativa torna improvável a aprovação de proibições abrangentes ou de regras excessivamente restritivas para o setor.

Na renda fixa, a melhora das expectativas fiscais deve aliviar os juros e impulsionar os preços dos títulos do Tesouro americano. Com a queda das taxas, o dólar tende a se enfraquecer diante das demais moedas fortes, acredita Cabral. O Goldman Sachs, por sua vez, avalia em relatório que os democratas devem usar os prazos de financiamento do governo e do teto da dívida para tentar limitar a guerra com o Irã, reduzir tarifas selecionadas e reverter cortes de gastos aprovados no ano passado — movimento que contrasta com a expectativa de Cabral de que o novo Congresso freie a expansão dos gastos públicos. O banco considera menos prováveis mudanças na regulação de data centers e IA, que dependeriam de apoio dos dois partidos para passar pelo Senado e superar um eventual veto presidencial. Já as vitórias democratas em governos estaduais e locais devem levar a moratórias de curto prazo para data centers, com potencial de afetar cerca de 45% da expansão planejada da capacidade do setor no país.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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