Solenidade da Assunção de Nossa Senhora
Assunção de Nossa Senhora é celebrada como festa da esperança e da entrega total a Deus
A Igreja Católica celebra nesta semana a Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria, festa em que os fiéis contemplam o mistério da elevação de Maria, em corpo e alma, à glória celestial. No Brasil, por razões pastorais, a solenidade é frequentemente transferida para o domingo seguinte ao dia 15 de agosto, data que coincide com o terceiro domingo do Mês Vocacional, dedicado à vocação para a vida religiosa e consagrada.
Em artigo publicado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Antonio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen (RS), destaca que a fé da Igreja neste mistério não nasce de uma narrativa histórica detalhada nas Escrituras, mas da compreensão da relação única de Maria com o seu Filho e da tradição viva desde os primeiros séculos. A festa já era celebrada no Oriente no século V como "Dormição" ou "Nascimento para o Céu" de Nossa Senhora. Em 1º de novembro de 1950, o Papa Pio XII definiu solenemente, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, o dogma de fé segundo o qual a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial.
O bispo explica que a Assunção não é como a ascensão de Cristo. Jesus sobe ao céu por sua própria virtude divina; Maria é assumida, elevada pela graça de Deus. Seu corpo, que gerou e acompanhou o Verbo encarnado até a Cruz, não conheceu a corrupção do sepulcro. Conforme o Catecismo da Igreja Católica, a Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos. As leituras litúrgicas da festa iluminam o mistério: o Apocalipse apresenta a mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e coroa de doze estrelas; São Paulo proclama Cristo como primícias dos que morreram e anuncia a vitória definitiva sobre a morte; o Evangelho do Magnificat revela a humildade, a gratidão e a disponibilidade total de Maria.
No contexto do Mês Vocacional, a ligação entre a Assunção e a vocação à vida religiosa é profunda. Maria é apresentada como o modelo supremo de quem consagra integralmente a própria existência a Deus. Religiosos e consagrados, ao professarem os conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, imitam a radicalidade da entrega mariana. A celebração, segundo dom Antonio, não é apenas uma festa de Maria, mas uma festa de todos os fiéis, que mostra o destino para o qual todos são chamados. A data convida os cristãos a renovarem o próprio "sim" cotidiano, seja no matrimônio, no sacerdócio, na vida leiga ou na consagração religiosa, e a pedirem a intercessão de Maria para que sejam suscitadas numerosas e autênticas vocações.
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