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 Selic caiu, mas sua prestação no financiamento não vai diminuir já — eis o porquê 

Atualizado em 17/09/2026 às 11:05 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano, anunciada nesta quarta-feira (16), abre mais uma fresta para a melhora das condições do crédito imobiliário. O efeito, porém, não deve aparecer imediatamente nem na mesma proporção nas taxas oferecidas pelos bancos. Para quem já tem financiamento, a prestação também não cai automaticamente, mas o movimento abre espaço para renegociação ou portabilidade da dívida.

O corte de 0,25 ponto percentual já era amplamente esperado pelo mercado. Ainda assim, a Selic permanece em patamar elevado e há dúvidas sobre os próximos passos do Banco Central. Para o setor imobiliário, mais importante do que um corte isolado é a consolidação de um ambiente de juros menores, já que financiamentos de imóveis podem atravessar duas ou três décadas e suas taxas não acompanham mecanicamente cada movimento da Selic. Entram nessa conta o custo de captação dos bancos, as taxas de longo prazo, as expectativas de inflação, o risco da operação e o perfil do cliente.

Segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney, a queda da Selic sinaliza uma mudança no ambiente de crédito, o que pode levar incorporadoras que postergavam projetos a revisar cronogramas. O segmento tende a ser um dos primeiros a sentir os efeitos de uma melhora nas condições de crédito por concentrar famílias mais dependentes de financiamento. Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram que, no primeiro semestre de 2026, o crédito imobiliário cresceu 23% ante igual período do ano anterior, alcançando R$ 180,9 bilhões — sendo R$ 93,7 bilhões pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

Para quem já financiou a casa própria, a redução da Selic não altera automaticamente a taxa contratada nem reduz por si só o valor das prestações. O crédito imobiliário no Brasil não é financiado pela Selic, e sim pela poupança e pelo FGTS, corrigidos pela Taxa Referencial (TR). O que muda é o ambiente de crédito: se os bancos passarem a oferecer financiamentos mais baratos, quem contratou crédito em condições piores poderá tentar reduzir sua taxa no próprio banco ou transferir a dívida para outra instituição por meio da portabilidade. A transmissão da Selic para o financiamento, no entanto, não é necessariamente proporcional ao corte promovido pelo Banco Central, pois depende do funding dos bancos, do prazo e do perfil do cliente.

A recomendação predominante entre os especialistas é começar a pesquisar, sem partir da premissa de que qualquer redução de taxa torna vantajosa a troca de contrato. A estratégia sugerida é atuar em duas frentes: pedir melhores condições ao banco atual e, ao mesmo tempo, simular propostas em instituições concorrentes — muitas vezes uma oferta de outro banco ajuda na negociação com o atual. Na comparação entre contratos, o indicador mais relevante é o Custo Efetivo Total (CET), que incorpora juros, tarifas e outros encargos. Saldo devedor e prazo restante também pesam: uma pequena redução de taxa sobre um saldo elevado por mais 20 anos pode gerar economia significativa, enquanto a mesma diferença em um contrato perto do fim pode ter impacto bem menor. Parcela menor, portanto, não significa necessariamente financiamento mais barato.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Sobre o autor

Por Ivan Marra

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