Entre eleição e desaceleração: o que esperar do fim de ano para as ações de bancos?
As ações dos bancos brasileiros caminham para encerrar 2026 em um cenário complexo, marcado pela antecipação dos possíveis efeitos das eleições presidenciais sobre juros, crédito e atividade econômica. Ao mesmo tempo, casas de análise passaram a revisar para baixo suas projeções para 2027, citando desaceleração econômica, menor estímulo fiscal e crescimento mais moderado das carteiras de crédito.
O movimento ocorre após uma forte recuperação de parte do setor na Bolsa, especialmente em nomes mais sensíveis à disputa eleitoral, como o Banco do Brasil. A ação passou a refletir não apenas fundamentos operacionais, mas também expectativas sobre o cenário político e a possibilidade de mudanças na governança da instituição a partir de 2027.
Relatórios do Itaú BBA e do Bradesco BBI indicam que o principal debate para os investidores deixou de ser apenas o resultado eleitoral e passou a ser a capacidade dos bancos de sustentar o crescimento dos lucros em um ambiente que tende a ser menos favorável no próximo ano. O Itaú BBA afirma ver um cenário benigno para a qualidade do crédito no curto prazo, sustentado pelo mercado de trabalho resiliente e por estímulos fiscais ainda presentes, mas avalia que o quadro para 2027 se tornou mais incerto diante da desaceleração do PIB, da redução do suporte fiscal e de possíveis pressões inflacionárias.
Na revisão, os cortes mais expressivos do Itaú BBA recaíram sobre Nubank, cuja projeção de lucro para 2027 foi reduzida em 8%, Agibank (-16%) e Banrisul (-25%). O banco também rebaixou a recomendação de Nubank de Outperform para Market Perform. O Bradesco se tornou o único grande banco com recomendação Outperform entre os nomes cobertos, com projeção de lucro de R$ 32,5 bilhões em 2027, alta de 14% na comparação anual. Para o Banco do Brasil, o Itaú BBA elevou o preço-alvo de R$ 21 para R$ 23 por ação e projetou lucro de R$ 25,6 bilhões no período.
Sobre a inadimplência, tanto o Itaú BBA quanto o Bradesco BBI argumentam que o mercado pode estar exagerando os riscos imediatos. Parte da deterioração dos indicadores agregados decorre de mudanças regulatórias no reconhecimento de créditos inadimplentes e do aumento da participação de bancos digitais e fintechs, segundo o Itaú BBA. O Bradesco BBI estima que os fundos garantidores FGI e FGO já sustentaram mais de R$ 650 bilhões em concessões desde a pandemia, sem deterioração relevante da qualidade dos ativos. Para os analistas, o desempenho das ações até dezembro dependerá menos dos resultados trimestrais e mais da evolução das expectativas para 2027.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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