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Entre eleição e desaceleração: o que esperar do fim de ano para as ações de bancos?

Atualizado em 17/09/2026 às 10:50 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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As ações dos bancos brasileiros caminham para encerrar 2026 em um cenário complexo, marcado pela antecipação dos possíveis efeitos das eleições presidenciais sobre juros, crédito e atividade econômica. Ao mesmo tempo, casas de análise passaram a revisar para baixo suas projeções para 2027, citando desaceleração econômica, menor estímulo fiscal e crescimento mais moderado das carteiras de crédito.

O movimento ocorre após uma forte recuperação de parte do setor na Bolsa, especialmente em nomes mais sensíveis à disputa eleitoral, como o Banco do Brasil. A ação passou a refletir não apenas fundamentos operacionais, mas também expectativas sobre o cenário político e a possibilidade de mudanças na governança da instituição a partir de 2027.

Relatórios do Itaú BBA e do Bradesco BBI indicam que o principal debate para os investidores deixou de ser apenas o resultado eleitoral e passou a ser a capacidade dos bancos de sustentar o crescimento dos lucros em um ambiente que tende a ser menos favorável no próximo ano. O Itaú BBA afirma ver um cenário benigno para a qualidade do crédito no curto prazo, sustentado pelo mercado de trabalho resiliente e por estímulos fiscais ainda presentes, mas avalia que o quadro para 2027 se tornou mais incerto diante da desaceleração do PIB, da redução do suporte fiscal e de possíveis pressões inflacionárias.

Na revisão, os cortes mais expressivos do Itaú BBA recaíram sobre Nubank, cuja projeção de lucro para 2027 foi reduzida em 8%, Agibank (-16%) e Banrisul (-25%). O banco também rebaixou a recomendação de Nubank de Outperform para Market Perform. O Bradesco se tornou o único grande banco com recomendação Outperform entre os nomes cobertos, com projeção de lucro de R$ 32,5 bilhões em 2027, alta de 14% na comparação anual. Para o Banco do Brasil, o Itaú BBA elevou o preço-alvo de R$ 21 para R$ 23 por ação e projetou lucro de R$ 25,6 bilhões no período.

Sobre a inadimplência, tanto o Itaú BBA quanto o Bradesco BBI argumentam que o mercado pode estar exagerando os riscos imediatos. Parte da deterioração dos indicadores agregados decorre de mudanças regulatórias no reconhecimento de créditos inadimplentes e do aumento da participação de bancos digitais e fintechs, segundo o Itaú BBA. O Bradesco BBI estima que os fundos garantidores FGI e FGO já sustentaram mais de R$ 650 bilhões em concessões desde a pandemia, sem deterioração relevante da qualidade dos ativos. Para os analistas, o desempenho das ações até dezembro dependerá menos dos resultados trimestrais e mais da evolução das expectativas para 2027.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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