Fundador de startup de US$ 4,5 bi vê afirmações ‘extremas’ sobre avanço de IA
O fundador da Decagon AI, Jesse Zhang, avalia que parte das declarações sobre os riscos do avanço da inteligência artificial que dominaram o noticiário de tecnologia na última semana pode ser classificada como "extrema". Em entrevista ao InfoMoney, o executivo afirmou que as afirmações mais alarmantes tendem a ganhar as manchetes, mas defende que a resposta está no meio do caminho.
Segundo Zhang, é necessário reforçar mecanismos de segurança — os chamados guardrails —, sem que isso signifique frear ou interromper o desenvolvimento da tecnologia. "Não acho que a resposta seja desacelerar ou parar o desenvolvimento", disse. Para ele, o caminho é criar incentivos para que as garantias de segurança avancem na mesma velocidade que os modelos.
A discussão ganhou força depois que um ex-pesquisador da Anthropic, Jacob Coxon, foi a público manifestar preocupações com a chamada inteligência artificial geral (AGI). Em suas redes sociais, ele afirmou que as empresas "estão correndo diretamente em direção a uma superinteligência capaz de se autoaperfeiçoar e apostando com nossas vidas". Nos últimos dias, executivos como Dario Amodei (Anthropic), Sam Altman (OpenAI) e Elon Musk (xAI) convergiram para o entendimento de que seria o momento de conter o avanço dos modelos mais avançados até que mecanismos adequados de segurança sejam desenvolvidos.
Zhang atribui parte desse movimento à competição no mercado americano de aplicações de IA, que, segundo ele, é o que impulsiona o progresso. O executivo defende que os incentivos se voltem à criação de garantias de segurança, e não à redução da velocidade de inovação.
A Decagon AI desenvolve agentes de inteligência artificial para atendimento a clientes por telefone ou mensagens, com clientes como BBVA e Mercado Livre no Brasil. Fundada há menos de três anos, a companhia alcançou em janeiro uma avaliação de mercado de US$ 4,5 bilhões após um aporte de US$ 100 milhões. De acordo com Zhang, os recursos serão usados para expandir o time, hoje com 600 pessoas, dentro e fora dos Estados Unidos.
Sobre o ciclo de alta valorização das empresas de IA, o fundador afirmou que é difícil prever quando ele terminará e que "em algum momento deverá haver um reset". Ele pondera, no entanto, que a principal diferença em relação a outros ciclos é o volume de receita já gerado pelas companhias e a percepção de valor por parte dos consumidores.
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