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Qual é a trama de '1984', livro citado por André Mendonça ao afastar Andrei Rodrigues da PF

Atualizado em 09/09/2026 às 11:50 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou o romance distópico "1984", de George Orwell, na decisão em que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. Na avaliação do ministro, a produção e a divulgação de relatórios de inteligência pela PF, com conhecimento prévio do ministro Alexandre de Moraes, seriam "fatos de extrema gravidade" em um quadro "que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia".

Publicado em 8 de junho de 1949, "1984" se passa em um mundo dividido em três superpotências — Oceânia, Eurásia e Lestásia — em guerra permanente. O protagonista, Winston Smith, é funcionário do Ministério da Verdade, em Londres, e trabalha para reescrever documentos históricos de modo que reflitam a versão oficial do Partido, liderado pelo Grande Irmão. Ao se apaixonar por uma colega e começar a escrever um diário — ambos atos proibidos —, Winston passa a questionar o regime e busca resistência clandestina.

A obra se consolidou como uma das mais influentes do século 20 e se tornou referência como crítica ao autoritarismo e à manipulação da verdade. Traduzido para cerca de 65 idiomas, o livro já vendeu mais de 100 milhões de exemplares e segue na lista de mais vendidos em diversos países. Em momentos de tensão política, a obra costuma ser mobilizada por diferentes espectros ideológicos para criticar governos ou instituições vistos como autoritários.

Um exemplo célebre ocorreu em 2017, quando a assessora da Casa Branca Kellyanne Conway usou a expressão "fatos alternativos", o que remeteu ao conceito de "duplipensar" — a capacidade de aceitar duas ideias contraditórias ao mesmo tempo —, central no livro de Orwell. Na ocasião, as vendas da obra dispararam 9.500% nos Estados Unidos. Durante a pandemia, o livro também foi frequentemente citado em críticas a medidas sanitárias como lockdowns e uso obrigatório de máscaras.

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil destacam que, pela biografia do autor, "1984" representa uma desconfiança a qualquer forma de totalitarismo. Orwell, que se definia como "socialista democrático", fazia críticas duras ao stalinismo. A figura do Grande Irmão pode ser associada à de Stalin, e o regime retratado no livro tem características que fundem o que haveria de pior no fascismo e no stalinismo.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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