Por que André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8/9) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Na decisão, Mendonça também ordenou a abertura imediata de procedimentos investigativos criminais e administrativo-disciplinares contra Rodrigues na Corregedoria da PF.
O ministro afirma que ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, vinham sendo submetidos a um "monitoramento sistemático" por parte da inteligência policial, que classificou como ilegal. Segundo Mendonça, Rodrigues, como diretor da PF, encaminhou a Moraes ao menos seis relatórios de inteligência produzidos sigilosamente entre 3 e 31 de agosto. O magistrado aponta ainda "superlativa gravidade e ilicitude" na produção dos documentos e compara o cenário ao romance "1984", de George Orwell, que retrata uma sociedade sob vigilância totalitária.
A decisão foi publicada cinco dias depois de o ministro Alexandre de Moraes ter pedido investigação contra Mendonça no âmbito do Inquérito das Fake News, com base em relatórios da PF que apontariam irregularidades na condução dos casos do Banco Master e do INSS. Mendonça também destacou o vazamento de informações sigilosas dos relatórios, que continham detalhes sobre investigações envolvendo os políticos Antonio Rueda e ACM Neto, o que teria frustrado a eficácia de medidas cautelares.
Mendonça solicitou a convocação de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para referendar a decisão. O julgamento já contava com maioria de votos, mas foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que questionou a competência da Segunda Turma para analisar o caso e citou um precedente do STF que veda medidas capazes de desequilibrar a disputa político-eleitoral.
Na noite desta terça, a Advocacia-Geral da União (AGU) divulgou nota afirmando que Jorge Messias solicitou com urgência a suspensão do afastamento, sob argumento de "grave lesão à ordem pública e administrativa" e violação da prerrogativa constitucional do presidente da República para nomear e exonerar diretores da PF. Horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Mendonça se manifeste em 72 horas sobre o pedido. Em apoio a Rodrigues, os 11 diretores da PF colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Marcel Murad, classificando o afastamento como "ataques injustificados".
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