Quais seriam os caminhos possíveis para Flávio ficar legalmente nos EUA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa presidencial, tem diante de si diferentes caminhos legais para permanecer nos Estados Unidos, caso decida se estabelecer no país. Advogados de imigração ouvidos pela BBC News Brasil apontam três vias principais: o pedido de asilo, os vistos de não imigrante e o green card, cada uma com exigências e obstáculos próprios.
O asilo é autorizado pela lei americana em casos de perseguição por raça, religião, nacionalidade, pertencimento a grupo perseguido ou opinião política. Podem solicitá-lo pessoas fisicamente presentes nos EUA que comprovem temor fundado de perseguição no país de origem motivado por suas posições políticas. No entanto, a cidadania italiana de Flávio — que, segundo informações do governo da Itália, ele teria desde 2023 — pode complicar o pedido. Em outubro de 2026, o Board of Immigration Appeals (BIA) determinou que pedidos de asilo de cidadãos de países "democráticos e desenvolvidos" devem, em regra, ser negados, o que exige de quem tem dupla cidadania provar risco de perseguição nos dois países. O advogado Alexandre Piquet, radicado em Miami, observa que a decisão não impede o protocolo do pedido, mas pode prejudicar o caso. Em 2025, a taxa de concessão de asilo nos tribunais de imigração americanos caiu para a mínima histórica de 9,9%.
Outra possibilidade são os vistos de não imigrante, temporários e concedidos por período determinado a grupos específicos, como estudantes, jornalistas e profissionais contratados por empresas americanas — são mais de 180 tipos. Piquet não considera esse o caminho prioritário para o senador, mas afirma que ele poderia se qualificar, por exemplo, para o visto O-1, de trabalho, caso fosse contratado como lobista por um escritório em Washington. Esse visto, porém, vale por três anos.
Por fim, Flávio poderia buscar o green card, que garante residência permanente e permite pedir a cidadania americana após cerca de cinco anos. Eduardo Bolsonaro obteve o visto EB-1A, destinado a pessoas com "habilidades extraordinárias", que exige o cumprimento de três de dez critérios do USCIS, como prêmios de excelência, papel de liderança em organizações de prestígio ou remuneração elevada. "Tem alguns pré-requisitos ali que facilmente um senador e, sobretudo, um candidato à Presidência poderia atender. E é um processo mais interessante do que um processo de asilo, em que você tem muitos complicadores", avalia Piquet. Há ainda o visto EB5, para investidores, que exige aporte de US$ 1,05 milhão ou US$ 800 mil em áreas prioritárias, com comprovação da origem dos recursos.
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